quarta-feira, 16 de novembro de 2011

UM BARZINHO NO MEIO DA CIDADE


Várias pessoas vão chegando após minha chegada; tantas outras pessoas lá estavam mesmo antes de eu lá chegar...
Como eu, quantas mulheres estariam fazendo poses e escolhendo qual o melhor ângulo para serem vistas e para observar o ambiente e  às demais pessoas?
Alguns jovens casais sentados a uma curta distância mantinham um comportamento extravagante e barulhento; será que eles realmente acreditam que intimidade é falar e ouvir palavrões sem demonstrar constrangimento? Será que barulho e gritaria constantes viraram sinônimo de diversão; exibicionismo sinônimo de virilidade?
Alguns homens acreditam realmente que para ser macho é necessário sentar de pernas abertas, falar alto, beber exageradamente e olhar indiscretamente para outras? Por que - na balada - algumas mulheres permitem que seus namorados se comportem de maneira tão grosseria?
Na mesa ao lado notei a transformação de pessoas timidas e sérias: após algumas cervejas viraram pessoas-purpurinas e pessoas-estrelas a vagar pelo salão... vi as primeiras grudando na boca de muitos na mais absoluta "democracia", vi as segundas - mais seletivas - com ar de superioridade escolhendo a quem privilegiar com seu brilho.
Percebi meu tédio aumentar - mesmo após duas taças de lambrusco - e esta constatação me fez crer que há salvação para meu corpo (afinal a bebida alcóolica já não me diverte tanto) talvez um dia ele volte a ser habitável à minh'alma.
Saí para conversar com minhas amigas, uma hora mais tarde o assunto já estava em dia. Quis ouvir música ao vivo, três musicas depois já não ouvi mais nenhuma. Pensei em exercitar a paquera, notei que a minha boa vontade em tentar me fez melhorar neste quesito (ganhei convites vips para shows de cantores dos quais não conhecia o repertório -kkkk...) - por fim - o tédio me abraçou e não houve nada nem ninguém que me fizesse querer desvencilhar daquele abraço.
E sem conseguir dizer mais nada, como num brinde, recorro ao meu adorado cantor:

"Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão..."
(Oswaldo Montenegro).
 

domingo, 30 de outubro de 2011

DIVÓRCIO

Levas contigo meu olhar sereno e alegre,
Como daqueles que amam o vento que lhe sopram o rosto;
Levas contigo a certeza de que tudo foi extasiante,
Como quando andamos nus na praia sob a luz do sol;
Levas contigo esta sensação de vida e prazer, 
Como quando os corações pulsam em vênus.

Deixas comigo o teu sombrero mexicano,
aquele ridículo que me faz rir;
Deixas o último terço de teu vinho predileto,
aquele que tem gosto de beijo;
Deixas também o quadro que não gosto,
aquele que me deste sem moldura.

Deixas que eu sinta a casa vazia,
que - em meu ser - estou cheia de ti...


domingo, 16 de outubro de 2011

"CONFISSÃO
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Mário Quintana"


Meu processo de auto-perdão, por certo,  perdurará por longo período. Enquanto este tempo deve ser aguardado com serenidade, aproveito para abrandar em meu espírito as chamas que outrora expus e propaguei com orgulho.

Bobagem dizer que "não me arrependo do que fiz", seria como mentir descarademente diante de meu próprio espelho. Eu me arrependo de todas as atitudes que tomei, acreditando piamente que assim deveria ser, mas que fizeram pessoas queridas sofrerem.

Percebo que o dinamismo da liberdade - de alguma maneira - aprisiona o ser; é como poder voar e ter medo de altura. Isto porque liberdade acarreta responsabilidade; lembro que (quando eu era criança) minha mãe me deu a chave de casa e disse "agora você é responsável". Ora, eu queria apenas o direito de ir e vir a hora que bem entendesse, não queria ser "responsável" por nada nem por ninguém.

O amor é capaz de superar grandes obstáculos, contudo estou vivenciando um momento em que o maior sabotador de minha paz sou eu mesma. Porque é muito fácil rever algumas atitudes, ser flexível e desistir de sonhos insensatos; concomitantemente é muito difícil recomeçar diante do medo de fraquejar em velhos hábitos e tendências... Algumas vezes sinto que a oportunidade de alegria e serenidade está em praticar ioga no núcleo do inferno (e isto eu sei que posso).

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A QUESTÃO NÃO É AMAR!



Reciprocidade: em tempo, intensidade, atitude, disponibilidade, zelo, dedicação, presença, brandura, desejo, confiança, flexibilidade, afeto, tolerância, desapego, persistência, alegria...


- De quantos amores desconexos é feito um amor recíproco? 



Imagem:ugeirm.com.br.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

TABUS - TEORIA X PRÁTICA


FIDELIDADE CONJUGAL
Teoria: é imoral sair com homem comprometido, caso seja casado é pecado mortal...Devemos contribuir para que haja harmonia nos núcleos familiares, aquele cônjuge que não honrar o outro será punido por sí mesmo - porque sua consciência pesará bem mais que o chifre de sua vítima.
Prática: imoral é assumir a safadeza diantes dos outros, caso ninguém saiba "por que não sair?"; tesão se mede com o latejar do clítoris e o umedecer da vulva - o resto é balela... Quem nunca sentiu atração física por alguém comprometido? A fruta do pomar alheio é mais saborosa e desperta desejos mirabolantes.


AMOR
Teoria: só se ama uma vez na vida!
Prática: só se ama uma vez na vida, mas até descobrir a quem realmente amamos haja disposição. É gente que passa de mão em mão, gente que fica anos esperando, gente dadivosa que na dúvida ama toda a humanidade... Há aqueles que amam pastel; amam a cor rosa, amam carro, amam novela, amam livros, amam música e GOSTAM de seu companheiro.


SEXO
T: sexo, até quando é ruim - é bom!
P: FDP brocha! Faz propaganda, me deixa toda assanhada e dá um vacilo deste... Sexo deste tipo não preciso não, antes uma boa masturbação e um filme na televisão... Pra rimar?! Não pra não surtar! Imbecil, lambesal! Cornudoooo!!!


INTELIGÊNCIA
T: inteligência é afrodisiaco!
P: inteligência é afrodisiaco, mas só  a inteligência sem o bom humor, sem o respeito para com o turno vocacional do outro e sem poesia... Ah, que tédio!!!


AMIZADE
T: amigo é aquele que sempre diz a verdade, ainda que a verdade doa.
P: amigo as vezes omite coisas para não nos entristecer, amigo não apóia todas as bobagens que fazemos - mas ele nos alerta e nos ampara nos momentos difíceis. Amigo não perde tempo nos jogando na cara verdades que (ele sabe) que não estamos prontos para encarar. Ele sabe das nossas falhas, mesmo assim nos ama.


DOR
T: a dor nos leva à Deus!
P: a dor nos leva ao hospital! A dor nos faz ficar mal humorados, nos faz reclamar, nos faz tomar remédio sem receita... A dor nos faz rezar e pedir auxilio a Deus; mas se demorar a passar - a dor - pode nos fazer ficar tremendamente revoltados...


TRABALHO
T: o trabalho enobrece o homem!
P: ele enobrece o homem, a mulher, os filhos, enfim à casa toda... Mas aquele que só pensa em trabalho pode perder a mulher, os filhos e ficar sem casa. É preciso manter a boa qualidade de vida familiar e, ainda por cima, comparecer às festas do colégio e da casa da sogra, bancar as viagens, os tratamentos estéticos, as compras no shopping, lembrar de colocar gasolina e fazer manutenção nos carros... Enfim, lembrar de que tudo isso ficaria ainda melhor se acompanhado de um sorriso meigo e uma jóia da vivara.


SENSIBILIDADE
T: é preciso sensibilidade para compreender a alma feminina.
P: homem sensível demais é viado.


DOMINAÇÃO (CONCEITO FEMININO)
T: quero um homem que tenha firmeza de cárater, que tenha opinião própria, que me proteja, que banque as contas da casa, que me faça companhia, que aceite meus amigos...
P: o filhinho da mamãe só faz o que ela quer, lá em casa sou eu quem decide, não preciso de ninguém me dizendo como devo agir ou onde devo ir, sou independente e posso pagar minhas próprias contas, aquele mala não me deixa fazer nada sozinha, ele não tem ciúmes de mim - acho que não me ama....


DOMINAÇÃO (CONCEITO MASCULINO)
T: para casar quero uma mulher bonita, gostosa, educada, companheira, boa mãe, que gaste pouco e seja órfã de mãe.
 P: depois de casar quero uma mulher bonita e gostosa, troco todas as outras qualidades por uma dose de wisque e uma cerveja gelada... Ah, caso minha mulher ligue, estou em reunião!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DEUS, ME OUÇA!

Senhor,

No sopro dum instante, como num vento leve que quase levanta uma folha seca do chão, minhas raízes feriram-se... olho meu reflexo no espelho e não há viço em minha pele.

Sinto-me como uma andarilha suja e rota a andar desorientada e cabisbaixa por entre ruas que outrora me acolheram em momentos de alegria e satisfação, contudo eu nunca soube o quanto era alegre e satisfeita até notar o rascunho de gente que me tornei. 

Ontem via o mundo refletido em olhos serenos e apaziguadores, hoje minha alma cegou porque não há luz no mundo que reflita as coisas com o mesmo brilho.

Acredito que a continuidade da vida está numa árvore que plantamos, nos conhecimentos que adquirimos, nas coisas boas que praticamos, nos filhos  (mesmo aqueles que não sairam de nossas entranhas), no amor que semeamos nos corações alheios... 

Acredito, também, que a continuidade da vida está em nossos antepassados, na árvore genealógica que foi plantada (graças ao Senhor) e da qual fazemos parte mesmo que não reconheçamos as características oriundas da primeira semente...

Nós somos em muitas estações como flores celestes, cheias de beleza e perfume; noutras somos galhos finos que apontam para o céu e comemoram sob a luz do sol a maravilha de um novo dia; noutras somos como troncos cheios de nós e cicatrizes, porém fortes e imperiosos...

Sinto que não há nada que possamos fazer que nos poupe de ter as sensações causadas pelas intempéries dos tempos e, ainda que impercepitível aos transeuntes, lá nas profundezas do solo sagrado estão as raízes que nos alimentam  silenciosa e resignadamente.  Por isso - pela dor que nos propícia oportunidades de aprimoramento e pelo auxílio da providência divina que jamais nos abandona - eu agradeço!

Tenho clareza de que nossas raízes na Terra são a nossa família - a família que muito antes de renascermos já havíamos escolhido: nosso pai, nossa mãe, os irmãos (ainda que não haja laços consanguineos), nossos amigos... Todos estes companheiros de jornada que estão conosco por tempo pré-determinado e - embora saibamos que um dia esta convivência sofrerá uma pausa - eles são como bençãos a nos auxiliar no caminho do progresso.

No entanto meu Deus, rogo-lhe: como deixar para trás alguém a quem amamos e com quem partilhamos momentos preciosos de nosso passado? E como desapegar dum passado que é tão cravado em nossa mente que  parece ser o único ponto de referência de nossa ligação com o resto do mundo?

Como podemos passear e ver paisagens e cores e objetos; como podemos sentir o cheiro das flores e do mato; como podemos tocar nos objetos e abraçar outros seres e tatear outras texturas; como podemos ouvir outras músicas e o canto dos pássaros e o latido dos cães e o ronronar dos gatos; como podemos chorar outro pranto e rir outro riso? - Por Deus, como podemos usar nossos sentidos para outros interesses que não sejam os de revelar e buscar e prorrogar a presença do ser ausente em nossa mente????

Por que não me lembraram que ausência não quer dizer distância - e que distância só existe quando não encontramos meios de transpor a barreira do tempo de volta para o passado? - Senhor,  me dê a aceitação de que toda vez que penso em alguém o trago para perto de mim através das minhas lembranças: se lembranças tristes, faço a pessoa triste; se lembranças alegres , faço a pessoa alegre. Por favor, me ajude a ver e sentir as coisas com mais simplicidade, menos lamento e mais fé.

Aceito e compreendo que a "morte" é como a continuidade da vida em outro lugar, é um meio do Espírito transpor a barreira do corpo carnal e regressar ao seu lar espiritual. E por assim compreender, acredito sinceramente que quando formos embora deste planeta (morrendo sem nos matarmos) iremos fazer a viagem de regresso ao encontro de nossa família, daqueles que nos antecederam...

Meu Deus, muito embora eu já tenha tido vontade de morrer no lugar de outra pessoa a qual muito amo; entendi que não há possibilidade de carregar pelo outro os fardos que lhe cabem nesta jornada sem, com isso, prejudicar-lhe a as oportunidades de aprendizado e evolução. Mas peço para que este entendimento não me impeça de ser útil e ajudar meu semelhante até o último instante de minha vida terrena, aceitando que não tenho o direito de abreviar tão pouco tenho o poder de prorrogar a vida de nenhum ser vivente. 

Tudo está certo, segundo seus designios Pai Celeste (que eu consiga sentir esta verdade mesmo nos momentos de muita dor).

Já melhorando meu estado d'alma, sei que devo usar meus sentidos (tato, olfato, paladar, visão, audição e intuição) para meu bem maior e para auxiliar a tantos quanto eu puder fazer o bem. Mas quero - também e sempre - usá-los para buscar as lembranças dos momentos felizes junto àqueles meus amados que já se foram deste mundão. Muito obrigada por me conceder o privilégio de ter estado com todos eles!

Quero me dar ao direito de buscar a minha felicidade e quero o dom do amor (inspirado pelos exemplos de Jesus) para que me ajude a respeitar todas as formas de ser feliz, mesmo aquelas que possam contrariar a minha maneira de pensar. 

Quero que em minha árvore-genealógica-afetiva haja harmonia e que minhas sementes do passado sejam motivos de alegria partilhada e multiplicada. E quando eu reencontrar meus amores na pátria espiritual quero levar-lhes o bálsamo das belas flores e retribuir-lhes os bons frutos que fizeram brotar em meu coração.

Amém.

domingo, 24 de julho de 2011

Uma Idiota Filosofando!

O que nos sintoniza à alguém são as verdades ou as mentiras que com  ele partilhamos - conscientemente. E quando quebramos elos antigos é porque provavelmente apareceu outra pessoa que teve o dom de nos "arrancar" mais verdades ou mentiras que a antecessora. 

A diferença básica é que a verdade nos liberta e a mentira nos aprisiona, sendo que ambas têm em comum a grande probabilidade de nos amedrontar.

Tenho refletido muito à respeito de meus objetivos pessoais - alguns são bem concretos e tangíveis outros um tanto quanto surreais (como um sonho louco que sequer se consegue retratar com verossimilhança).

Quando eu era criança grande (me sentindo adulta) olhava as pessoas e o mundo como se assistisse a um filme onde todos os personagens eram toscos e o cenário monótono. - Meus livros (quase sempre escritos em séculos passados) eram bem mais interessantes que a companhia dos colegas. - Minhas músicas prediletas eram ridículas e fora de moda. - Meu gosto por roupas e acessórios causavam desgosto (até hoje espantam). Em suma eu não gostava deste planeta e nem me sentia parte integrante dele...

Durante minha adolescencia me sentia como se meu anjo-da-guarda tivesse me remetido (dum lugar qualquer no espaço) via sedex e eu tenha sido extraviada e - consequentemente - tivesse vindo párar aqui no departamento de achados e perdidos da Terra. Fiquei muito tempo esperando que um dia o filho-da-puta remetente viesse me resgatar.

Agora, anos depois, após tantas experiências acumuladas - acrescidas de potenciais rugas e trágicas celulites - sei que se me perco é tão somente dentro de mim.  Mesmo assim gostaria de voltar aos meus dez anos de idade e sentar na calçada - enquanto os meninos jogavam futebol na rua - e ficar só olhando para pernas e bundas (sem imaginar o tamanhos dos pênis - juro!)...

E este medo de definir "é isto que quero" - enquanto seguro "o que não quero" querendo soltar?! - As vezes sou tão racional que faço gráficos mentais e análise estatística de emoções e pessoas - como se eu pudesse mensurar o que é subjetivo e controlar o desconhecido.

Tudo isto dito só para mencionar que me sinto - momentaneamente - uma "indiota" (uma "índia" que vive numa aldeia  chamada "ota") que se comunica com a própria alma através de sinais de fumaça - em meio a um vendaval...

Imagem: betart.arteblog.com.br

segunda-feira, 11 de julho de 2011

SER BOAZINHA É UM TÉDIO!

Caramba! Como é chato tomar as atitudes corretas, como é sem graça ter que evoluir (compulsóriamente).
Estou arretada da vida! Esta porcaria de ficar estudando e seguir uma filosofia baseada em boa conduta moral e, como se não bastasse, ter consciência dos sacríficios que se tem que fazer em nome duma tal de reforma intima.

Estou tão mexida por dentro que mais pareço uma casa em reforma: tudo quebrado, tudo jogado, um poeirão danado; fora a poluição auditiva do zum-zum que ocorre em minha mente...

Sei que deveria estar contente com os bônus que adquiri e com as coisas e pessoas novas que trarei para meu convivio, entretanto minha zona de conforto insiste em manter-se inalterada. 

É importante ter uma certa comodidade, um lugar para descansar o esqueleto, um porto seguro como referência, uma pessoa eleita para a satisfação sexual (não estou falando de amor), outra eleita para diálogos prazerosos e inteligentes, outra eleita para brincar e falar bobagens, outra para conversar sobre a vida profissional, outra para ficar quieta só fazendo companhia - sem cobranças... Mas para juntar tudo isto numa só pessoa é necessário que nos tornemos, antes, o próprio ser a que almejamos. Tudo nesta vida é uma questão de sintonia! Ora, que eu vá pra "casa do chapéu" com esta constatação!

Estou contente por ter me tornado uma pessoa melhor! Estou convicta de que para eu ser medianamente feliz preciso melhorar... Aplicar "kaizen" em minha casa, em meu espírito e tudo o mais que as pessoas sensatas praticam... Mas protesto veementemente: como é  monótono ser boazinha! Aff!!!  

Imagem: eulasworld.blogspot.com


domingo, 26 de junho de 2011

FACES DE VÊNUS

Na representação clássica (greco-romana) Vênus é uma deusa branca de anatomia divinal;  simbolizando a beleza, o erotismo e o amor. No filme lançado pelo Festival Varilux de Cinema Francês a Vênus Negra retratada, por ser negra, foi vista em 1810 pela sociedade da época como alvo de exibicionismo, sensacionalismo e voyerismo, além disso, teve o corpo em vida e pós-morte estudado por cientistas (veja comentários do filme em: http://profmaisaalves.blogspot.com/).

A condição da personagem principal do filme (persuadida, ludibriada, distante do seu habitat, explorada, seviciada, desrespeitada, etc) me fez refletir à respeito da condição feminina na sociedade moderna sob diversos aspectos como: a inteligência e a capacidade de escolha (direito ao voto); a revolução sexual (contraceptivos que dão direito a sexo por prazer e não somente para procriação); a busca pela equiparação salarial no mercado de trabalho ao desenvolver tarefas com a mesma eficácia que o homem; as pseudo-obrigações feminino-familiares de multiplas facetas ao contribuir com o sustento e a gestão do lar (administradora), a educação dos filhos (educadora),  propiciar o equilibrio e a harmonia na convivência (psicóloga-terapeuta); providenciar os presentes de aniversários e ficar atenta aos compromissos (secretária); o controle do orçamento e pesquisa de mercado (gestora financeira); etc.
Outra questão, a estética, também é motivo de reflexão: o ser negra-mulata-loira-amarela-azul; o estar gorda ou magra; o ser considerada feia ou bonita; o ser muito baixa ou alta. 

A demasiada importância que se dá à aparência física é, ao meu  ver,  um dos principais fatores  que transformam os seres humanos em alvos de exibicionismo, sensacionalismo e voyerismo - daí  se note (sem generalização preconceituosa) alguns indicativos como: os desfiles de carnaval (exibindo os quase-peladões alegóricos), os telejornais apelativos (dizendo - homem de 300 kilos sai de casa à guindaste), os programas modais populares (mostrando os dotes frutíferos da mulher melancia-morango-cajú, etc). 

Dramatizando e exagerando minha condição feminina na atualidade, as vezes me sinto como a Vênus Negra do século XIX no tocante ao estar enredada num contexto social repressor das diferenças e ser obrigada a representar a roupagem-psicológica com que me vestem para eu ser aceita. Sinto a necessidade de estar inserida num grupo, de reconhecer características minhas em outras pessoas, de ter como referência  comportamental o meio ao qual faço parte ,  ainda que seja para  contrariá-los ou chocá-los sendo diferente.  

Diante de tantas reflexões, concluo que: prefiro pensar na Vênus do amor. Prefiro pensar na sociedade das utopias (justa, bondosa, fraterna, pacífica). Prefiro os amores idealizados e as iluzões que nos aliviam temporariamente duma verdade triste. Prefiro ver a mulher como bela, sensual, inteligente, corajosa, versátil e poderosa. E me permito (ainda que aqui na escrita) acreditar no impossível, no milagroso, no libertador, na evolução, no SER HUMANO.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

PAIXÃO

Muito lhe devo...sem paga.
Mas o animal não segue regras...
segue os instintos...
sente no ar o teu cheiro...
e uiva enlouquecidamente para a lua, chamando teu nome.

Nada lhe devo... esta é a paga.
Amoral como Macunaíma, heroina dos guetos e dos hotéis vagabundos...
Marginalizada como prostituta sem cafetão...
Minha fome não cessa, a pele continua em brasas...
Tuas garras marcaram-me a carne, são troféus as cicatrizes...
Não preciso do cheiro, nem do gosto, nem da lua, nem do nome.

Jaz em meu peito a volúpia dum impotente diante da rapariga barata...
Como deserto escaldante que esfria ao anoitecer estão os meus sentidos.
Não faz diferença se ris ou se choras, nada me desola ou consola...
Emudeci, não sinto batimentos cardiacos, não ouço, não vejo... penso.

Uma parte de mim vaga à esmo, a outra tem parada certa: o sol!

Imagem: anadaydrems.blogspot.com

sábado, 28 de maio de 2011

VELHA CRIANÇA

Manifesto que estou viva, muito viva;
Meus lábios estão um tanto descorados por falta de sol...
Minhas mãos ásperas devido às tarefas que executam;
Minha tez denuncia os tempos que passaram;

Estou aqui; num cantinho discreto;
Rezo para que possa permanecer assim, protegida...
Como uma paisagem inexplorada, um jardim selvagem e exótico;
Rosto sardento, cabelos ruivos, olhos astutos;

Ainda percorro veloz os campos de algodão, trepo em árvores frondosas;
Colho frutas, corro atrás de pássaros para descobrir seus ninhos;
Converso com um camponês, sigo meu caminho;
Não sinto cansaço, nada temo...

Imagem: worldstopbrands.com

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fim de jogo!

"Para matar a saudade, bebida forte; nossa música; noutra boca os lábios teus... O único momento em que te esqueço é quando gozo, por isso tenho gozado muito desde que partistes! "

"A saciedade em sí é maravilhosa, triste é perder a vontade."

"O ponto cego; o ponto morto, o ponto G, o ponto de equilíbrio, o ponto e vírgula, o tempo de todos os pontos e ponto final."

"Sofremos da consciência de Augusto à razão du Bocage - e restaram-nos apenas: meu vinho; teu jazz e parte de nossa literatura."

Imagem: blogs.estadao.com.br

terça-feira, 10 de maio de 2011

O CARTOMANTE

A previsão:
"Você receberá boas notícias; financeiramente as coisas andam um pouco apertadas mas haverá prosperidade; no trabalho as coisas vão melhorar; você tem muita proteção espiritual; amigos irão lhe ajudar; nas cartas aparece um amor do passado; existem homens casados e solteiros querendo você... Irá aparecer um novo amor em sua vida!"

Resultado da consulta:
Mesmo tendo gasto muito em meus cartões de crédito e tendo um saldo insuficiente no banco - já que haverá prosperidade - posso ir ao shopping e comprar uma roupa nova para eu ir a um aniversário no sábado.

Que bom que as coisas vão melhorar no trabalho, caso contrário poderia ter uma síncope e  dar uma surra numa velhinha que anda me azucrinando as idéias.

Proteção espiritual - sempre tive - todos nós temos; Deus é maravilhoso; tenho procurado pecar menos - com certeza estou merecendo esta proteção.

Um amor do passado? - Caramba, são tantas emoções! Já sei; deve ser aquele casado que me atenta; mas agora não posso mais - por causa que resolvi me purificar.

Com certeza  existem homens casados e solteiros me querendo; eu tenho um sorriso tão largo e sou tão cordial que cumprimento até os postes da rua; daí os caras devem olhar para o meu popozão e logo imaginam coisas... Totalmente aceitável, de meu ponto de vista, tudo na mais perfeita ordem no mundo animal.

Um novo amor em minha vida! Já não era sem tempo; de todas as possibilidades que tenho nenhuma me apetece (tem certa dose de mentira nesta frase), tão pouco me arrebata (isto é verdade), nem arrepio na espinha venho sentindo... Estou num processo de hibernação, dormitando meus sentidos, domando meus instintos; buscando o reequilíbrio entre:  razão e emoção, descrença e fé, auto-controle e impulsividade, egoísmo e desapego, bem e mal, prazer e moderação, vício e necessidade, etc... Resumindo, com tanto esforço assim, mereço mesmo ser feliz - e ter com quem dividir esta felicidade faz parte da dinâmica do bem-viver.

O cartomante até que foi perspicaz. O que me deixa um pouco intrigada é que li as cartas como se estivesse analisando meu extrato bancário: meio-sem vontade (porém acreditando que deveria); nenhuma informação que eu já não pudesse prever; um futuro que depende de minhas escolhas; opções que não me convém por causa do ônus; promessa de melhora devido ao bom crédito que possuo; enfim ouvi tudo sem emoção e sob uma ótica totalmente racional dos fatos. Acho que não vou querer mais ler cartas! kkkk....

Imagem: escritordecontos.wordpress.com



quinta-feira, 28 de abril de 2011

ALFORRIA!

"Respeitar o curso do rio e a força da natureza que corre em nossas veias!".
Atitude positiva em busca de nossa própria identidade, aceitar tudo o que nos diferencia dos outros seres ao redor, ser responsável por escolhas simples como adoçar ou não o café antes de colocá-lo na garrafa térmica, dançar tango sem música...
Sentir a brisa da noite batendo em nosso rosto, a chuva da tarde molhar nosso corpo (sem nos preocupar com a transparencia da blusa), comprar a próxima passagem para um lugar inusitado...
Medo? - Lógico que sim, muito medo! 
Adrenalina e peito a pulsar como se o coração quisesse rasgar a pele e saltar para fora dançando frevo em asfalto quente.
Todas estas possibilidades e sensações me causam aquela a qual sou serva: LIBERDADE! 

Imagem copiada de: memoriasemomentos.blogspot.com

sábado, 23 de abril de 2011

NOSSA DANÇA

Você, eu  e o cansaço após horas de sexo bom. Deitamos  lado-a-lado conversando, olho-no-olho, boca-na-boca, cúmplices.
O cheiro de nossos gozos ainda exalam pelo quarto e uma mistura de sensações me deixam extremamente excitada...
Acaricio meus seios fartos; com  lentidão sôfrega minhas mãos descem  para entre pernas e - sob seu olhar ávido - massageio circularmente toda a região sensível e pulsante; controlo os toques e os ritmos como se fosse Beethoven compondo sonata para piano...
Lambuzada de gozo, anuncio-lhe - com voz rouca - que estou louca de desejo. 
Meus dedos têm um toque instigante e me penetro com frenesi;  meu olhar lascivo encontra o seu,  percebo que sua boca saliva na volúpia de me chupar e me tocar... Com sua boca em meus lábios jorro de prazer.
Chamo seu nome em vários tons: vibrante e apaixonado; urgente e febril; sussurrado; rápido; até gritá-lo num orgasmo.
Percebo o que despertei quando, lambendo meus dedos, você me puxa para sí e começamos a dançar... 

http://sadaabhikama.wordpress.com/category/sada-abhikama/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Culpa, muito prazer!

 O Morcego - Augusto dos Anjos

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!


            Em meu pescoço as feridas causadas pelas mordidas deste “rato com asas” não têm tempo sequer de cicatrizar... A mente também sangra, meu pescoço lateja e jorra um líquido escuro e fétido, com cheiro de culpa e transtornos psicóticos.
             Meu coração pulsa, minha mente fervilha, meu corpo deseja e minha alma – todas as noites – se entrega aos devaneios mais mirabolantes e inconfessos. Todos os dias, exceto aqueles nos quais me entrego em carne viva a tal devassidão... 
             Meu anjo dá-me as costas e se afasta, acredito que corado de vergonha de meus loucos arroubos de luxúria e insanidade.
            Nalguns momentos desejo ser essa “consciência humana, em forma de morcego”, daí estaria realizada – oh alegria – imagino-me a adentrar tantos quartos, a sondar  pensamentos e perversamente afugentar o sono de tantos homens quanto pudesse... Sem dó nem piedade, dentes afiados e compridos como agulhas, enlouquecê-los  e  por puro prazer  sugar-lhes o sangue!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Reencontrei meu ex-amor!

 
"Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos."
 
Clarice Lispector 


Existe algo  inefável num reencontro com um ex-amor; Noemi Jaffe questinou em seu blog  "como dizer inefável impunemente?" - eu respondo que " o inefável já é a própria punição".

Como definir o vacilar na atitude ao beijar o rosto daquele que há pouco tempo beijavamos a boca, lambiamos a virilha, sentiamos o calor de cada poro, tocavamos cada cantinho sob pêlos...

Como comportar-se diante daquele olhar vago e quase introspectivo que ele nos lança ao perguntar "como você está". E quanto àquela distância entre a pergunta em sí e o que de fato ela significa? Parece um questionamento ingênuo, coisa de amigo,  mas sabemos que existem outras questões sendo feitas: você já me esqueceu; está com alguém; sente a minha falta; lamenta a nossa distância; teve vontade de voltar; como sobreviveu sem meu amor?????

A resposta é bem objetiva, olho-no-olho - que ninguém ali é medroso - "estou bem, trabalhando bastante, alguns problemas para resolver, mas de resto tudo bem". E este "RESTO" espontâneo descortina em nossa mente o lugar exato onde nos últimos tempos haviamos colocado esta pessoa ex-amada.

É muito interessante esta forma em comum que muitos de nós temos ao lidar com um ex-amor: recomeçamos a respirar um ar só nosso - isso nos assusta e dá prazer;  reencontramos novos amigos; por sintonia começamos a atrair um monte de gente recém separada e quase que formamos um clubinho; saimos para curtir todos os lugares que ele não ia conosco; paqueramos; nossa vaidade estética fica mais aflorada; enfim, para ajudar a esquecer brincamos de ser feliz.

Concomitantemente lembramos do tal RESTO numa música que há muito não tocava no rádio, no perfume dum desconhecido; no jeito de sorrir de fulano; na frase que lemos numa revista; na data de nosso aniversário; na cor da parede da casa; no saca-rolhas; nas velas aromáticas; no bibelô ridiculo que tivemos que colocar na estante; no vestido curto que usavamos para provocá-lo; na cena dum filme recém lançado; na ante-sala do médico; na ressaca do dia seguinte; nas mensagens que não chegam; na lista de pessoas que sentimos saudade mas não podemos ver porque na partilha elas não ficaram conosco; etc.

Num reencontro temos a sensação de que se voltássemos um para o outro poderíamos rever alguns pontos conflitantes, poderíamos deixar de lado algumas implicâncias, poderíamos melhorar nossos maus hábitos... Vêm na lembrança nossos momentos alegres! Chegamos até mesmo a considerar tolos os motivos pelos quais nos separamos!

Olhamos para aquele ser e temos mapeados em nossa mente cada traço, cada detalhe daquele corpo; sabemos cada gosto, o significado dos pequeninos gestos; percebemos quando ele tem medo, quando está bravo, quando não quer falar, quando está com fome, quando quer nos fuzilar, quando está confuso, quando não aprova, quando deseja... Sem contar que para ele é impossível mentir, então de repente, temos consciência que ele sabe praticamente tudo o que estamos sentindo e pensando; no entanto não temos reservas: ELE PODE!

Nosso reencontro nos deixou mais conscientes de que, ainda, não estamos dispostos a mudar alguns velhos conceitos; ou sacrificar antigos hábitos; ou parar de insistir naquelas questões que o outro não valoriza.
Intimamente ficamos felizes por termos nos visto e, também, chorosos por sabermos que em algum ponto do caminho perdemo-nos um do outro. 

Depois de silêncios constrangedores e comprometedores - num momento derradeiro entre o pedir para ficar e o deixar ir embora - nos abraçamos carinhosamente e, desta vez sem titubear, nos beijamos no rosto... Tchau, vai com Deus! - Tchau, se cuida!
...  a única certeza é que nestes momentos INEFÁVEL é o sabor das lágrimas que veem do coração até os lábios trêmulos.

     
"Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda."

 Clarice Lispector 
 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vá viver, animal!

Cair na pista; fazer a fila andar (ou tirar racha); doar o bombonzinho para o universo... Tudo faz parte da mesma regra: vá viver, animal!

Nós - mulheres amalucadas, meninas depressivas, safadas enrústidas, criaturinhas egoístas, mulherzinhas apaixonadas por menininhos volúveis, prestemos atenção: pára tudo!!! Ora, ficar abocanhando migalhas de atenção? - Que coisa "sem noção"!

Fazer a fila andar? - Lógico, paremos de reclamar que não encontramos ninguém interessante, que todos os homens são chatos, que só pensam em sexo (como se isso fosse problema!) e que não sabem conversar (como se nós não falássemos asneiras!). 

Quanto à parte mais complicada, "doar o bombonzinho para o universo", vale lembrar que ,  independente de abrir-mos mão ou não do chocolatinho, existem um montão de vacas-sacanas que  o lamberam ou irão lamber e - toda vez que o pegarmos de volta para reavivar nosso amor - é assim que ele virá (lambido, mordido e rodado). Pensemos nisso, se não houver nada de nobre que nos convença a dar espaço para que outro amor chegue até nós, como por exemplo a auto-estima e o amor próprio, então que seja por  uma questão de quase-vingança (não é bonito, mas é válido).

Gente, que tal deixar a máscara da "boa moça" de lado e viver o outro lado, o  da "bonitinha e ordinária"? - Vamos montar uma catraca eletrônica e distribuir cartão para todos os machos com potencial de beijo bom. Os simpáticos e bonachões também (por que não?), eles são necessários para nos distrair.

Lembro que certa vez houve uma reunião de diretoria numa organização muito conhecida, todas as pessoas convocadas eram cultas e inteligentes (mestres e doutores). Em dado momento, começaram as  conversas leves para relaxar da pauta enfadonha, eis que uma mulher (nota mil) diz: "para eu me relacionar com alguém, preciso antes ver o cúrriculo", ao que o colega macho (nota mil) responde - "eu dispenso o -rrículo e fico com a primeira sílaba".

Os homens são dadivosos, não exigem tanto de nós, basta um visual legal, um bom perfume e saber rebolar (e este "rebolar" não quer dizer que precisemos saber dançar). Enquanto nós mulheres, crianças tolas, ficamos fazendo comparações, criando situações, fazendo pesquisa de campo, perguntando demais... Chega disso mulherada, vamos passar um brilho nos lábios, estampar um sorriso alegre, deixar o cúrriculo em casa (afinal, a princípio, ele vai se interessar somente pela primeira sílaba) e vamos viver nosso lado selvagem-despudorado... 

Queridas amigas, liguemos o "foda-se" e deixemos que ele pisque na cara do infeliz que não nos dá o valor que merecemos!!! 

Agora uma conversinha ao pé-d'ouvido: "amiga  adorada, concentra suas energias em você; respeite suas necessidades; não relute contra as verdades que lhe são jogadas ao focinho; reacenda sua luz interior mesmo que as vezes ela pareça fraca como o neon dum velho motel (insista!); seja arrojada, não disperse a atenção de seus antigos objetivos (aqueles que já existiam antes desta criatura atravancar a sua vida)... Respeita a regra, animal!"
Quando ondas de raiva lhe invadem o sangue é o momento de agir porque a espera é um veneno que mata lentamente.
A inércia ou uma ação contrária à nossa alma é uma espécie de morte prematura. Portanto, faça um patchwork dos seus sentimentos-trapos e vá viver!

Veja, no poema abaixo, como um homem deve contemplar uma mulher:


Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder a vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.


Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.


Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.


Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.


sábado, 19 de março de 2011

Fragmentos Meus...


Desengano
"...uma flor na lapela; um homem em desalinho; no chão, um coração murcho."


Opções
Quando viver necessitar recesso;
quando falar não for suficiente;
quando existir der calafrios;
quando amar for inapropriado;
quando doer... 
Insista ou desista!

 
O que é o  " ó " ?
O ó  é a quarta vogal;
Sem ele nã- existiria - am-r;
Nã- enquant- palavra...

Mas a amizade, essa existiria;
Minha amiga, minha nega;
Minha adorada...
Tud- iss- e mais um p-uc-!

Mesm- sem te chamar;
Mesm- sem ter c-m- dizer;
Ainda assim, SENTIMENT-S!

Nã- p-der falar, nem p-der -uvir;
Pi-r de tud-, saber que ficar
é - mesm- que te ver partir,
Iss- certamente é - verdadeir-: Ó!!!


Conflito Patético
Há um pequeno instante entre amar e não amar;
um conflito patético entre a pele e a roupa que a protege;
como para aquecer quisesse apenas pele;
como para proteger bastasse apenas roupa.


Quebra-cabeças
Ouvir, entender, amar: tresloucada mulher!
Por que motivo ensurdessestes ao meu clamor -
"se me amas; ama me somente!";

Suplico no entanto, se minha face pétala fosse
dormiria e amanheceria orvalhada,
Deixas que eu vá!

Brindastes em companhia de anjos;
entorpecida, adormecestes com teus demônios;
Mas eu, sim eu, acordei-te com beijo ardente -
mistura avassaladora, num vendaval fui teu refúgio.

Ficastes comigo, o quanto pudestes, bem menos do que quisestes;
Contudo, amor, arrebatastes e levastes contigo tudo aquilo que - nosso -
ninguém foi capaz de sondar...
Pegas o que é nosso, reparta-o comigo, segues teu caminho!

Quando, noutros dias, noutros tempos, te lembrares de "nós"
Já não haverá ardor, tão pouco este calor, mas - todo o sagrado -
haverá sorriso em lugar de pranto;
haverá serenidade em lugar de insônia.

Se sereis feliz, sem mim, ora, claro que não!
Serás contente! 
Rogo-te uma praga:
buscarás em outras, características minhas.

Conseguirás encontrar-me em mil mulheres e
Terás enfim satisfeito a tua vontade, total controle;
Serás minha dona, me disporás em tua sala pendurada,
Oh, que linda paisagem colada: uma mulher por ti emoldurada!
 
Leia também, Ouvir Estrelas, de Olavo Bilac: 
http://pensador.uol.com.br/poemas_olavo_bilac/

Imagem: http://domescobar.blogspot.com

sexta-feira, 11 de março de 2011

O que as mulheres querem dum homem patife?

Eu tenho uma amiga patife! Ela é a pior rameira que já conheci! Contudo, a desavergonhada é tão carinhosa, tão charmosa, tão louca, tão prevísivel na safadeza e tão imprevisível nas atitudes que atrai os homens e os põe a perder (ou se achar, depende do ponto de vista). O melhor de tudo: a menina é sincera; extremamente sincera, não engana ninguém. Fala o que quer e o que gosta, sem medo e sem vergonha.
Fiquei pensando muito a este respeito: por que é que os homens ficam aos pés desta descarada?
Não tardei a entender, o xis da questão é que os iguais se atraem. Não adianta que os ditados populares digam ao contrário, são os bicudos os únicos capazes de se bicarem.
Mas, afinal, o que as mulheres querem dum homem patife? Respondo por mim para não expor a galera: quero um patife sincero.
Atualmente estou um pouco decepcionada por causa das descobertas que fiz: o príncipe encantado sumiu (há quem diga que ele virou veado e fugiu com o gato de botas); a Chapéuzinho  Vermelho ficou traumatizada com o lobo mal, virou messalina e toca um puteiro em Trásdosmontes; os sete anões não eram anões, eram homens safados que andavam ajoelhados para ver a calcinha da Branca de Neve; a Bela Adormecida passou três dias numa festa rave e por isso não conseguia acordar; os três porquinhos reunidos na casa de alvenaria aproveitaram o ensejo e fizeram uma baita suruba; isso tudo sem contar o que aconteceu com a fada Sininho no mundo de Peter Pan... Gente, a coisa tá feia! Homem que cospe no chão e briga na rua, a noite morde a fronha e usa calcinha e top com lantejoulas coloridas.
Diante disso, quando chega um patife de primeira grandeza diante de mim e diz que me deseja, que eu sou linda, gostosa; que quer me proporcionar diversão, prazer, boa companhia, carinho e lealdade (que não é fidelidade) - poxa vida, honestamente, que maravilha! Viva à sociedade, antes uma pequena porcentagem duma empresa próspera que 100% duma empresa falida.
São bem vindos os adoráveis patifes, aqueles que fazem jus aos títulos de brejeiros, desavergonhados, descarados, malandros e marotos!  Agora, muita calma, vale um alerta: isso dá certo quando a mulher é tão patife quanto o homem. É o lance dos "dois bicudos" e "dos iguais", precisa haver sintonia de desejos e objetivos. Se não for o caso, meu amor, é melhor ir ao cinema assistir uma comédia romântica, comer pipoca doce e, se tiver coragem, ao tomar banho use a duchinha pra massagear lá, aquele cantinho que eles para nossa perdição sempre acertam (exceto os falsos patifes).

Antonio Banderas





quinta-feira, 3 de março de 2011

Por que, para mim, a felicidade está na próxima esquina?

Já sofri por dedicar um amor puro e por não ter como retorno reconhecimento, dedicação e comprometimento. Também já sofri por ser amada e não poder corresponder.
Notei que embora eu reconhecesse, me dedicasse e me comprometesse com o amor,  não era suficiente; porque de ambas as partes o amor também requer abnegação, requer desapego, requer domínio próprio... E requer tudo naturalmente, com espontaneidade, sem que o um ou o outro se sinta carente em suas necessidades individuais.
"Necessidades individuais", é nesse quesito que as coisas ficam difíceis! Eu disse certa vez: "o que me compraz é a busca; por ela sou vitima e sujeito; o que busco é mutante como eu". Talvez, agindo assim, possa justificar porque vislumbro a felicidade, ali adiante, na próxima esquina...
A intimidade é algo brutal, faz com que eu me torne transparente ao outro, contudo sempre existirá - entre eu e ele - uma barreira: a individualidade (como vidro límpido, ainda que eu não queira dar-lhe importância, existe).


Poesia de Anna Akhmátova

Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.


Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.


Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.


(retirado da antologia "Só o sangue cheira a sangue",
tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra Assírio & Alvim, 2000)

http://nusingular.blogspot.com/2008/02/um-poema-de-anna-akhmtova.html

Imagem: http://2.bp.blogspot.com

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DOUTOR EU ASSUMI: SOU BI !!!

Sou Helena, poderia ter nascido Joana, Antonia, Maria, Carolina, tanto me faz o nome. Mas de fato sou Helena! De acordo com o significado de meu nome sou Luz Brilhante, mas havia me colocado onde a luz não reluzia, sexualmente por exemplo...
Considero que cheguei ao auge da minha maturidade sexual aos vinte e seis anos de idade.
Quando tinha 4 anos arrumei um namoradinho da minha idade e saiamos juntos todas as tardes para nadarmos pelados numa lagoa perto do sítio de minha avó. Ele era meu companheiro de aventuras e, ainda que eu apanhasse, sempre fugia para encontrá-lo.
Aos 8 anos me prostitui, troquei favores sexuais por uma correntinha quebrada. O meu cliente devia ser 2 anos mais velho que eu, porém tinha um potencial promissor para contestar o ditado "tamanho não é documento", porque no caso dele - ainda que não fosse documento - "o tamanho era um belo cartão de visita". Não gostei da conduta dele no momento de tentar me possuir, agindo como se fosse meu senhor e proprietário. Atirei a correntinha na cara dele e mandei que saisse da minha cama, o máximo que ele conseguiu foram uns beijinhos e umas pegadinhas no pipi. Fiquei tão traumatizada que decidi parar de safadeza e me fechei indefinidamente para balanço. Cantava sempre a música de Chico Buarque "Geni e o Zepelim" para não me esquecer daquele transtorno e não cair novamente na vadiagem.
Aos 13 anos folheava as revistas pornôs que meu pai comprava e escondia cuidadosamente num lugar bem alto lá no guarda-roupas dele. Nelas eu vi cenas mirabolantes: um casal estava acampando e - nus -armavam a barraca. Me lembro que em plena grama, sob o sol, a mulher ficou imitando cavalinho e o homem - em pé - se aproximou com o mastro em riste tentando montar por trás no cavalinho. Foi a primeira vez que senti aquela gosma viscosa e esquisita em minha calcinha, a minha impressão era que havia cuspido nela.
Poucos meses antes de eu completar dezoito anos, estava deitada em minha cama pensando numa garota linda, delicada e perfumada que eu via no ônibus todas as manhãs. Ela se deitava sobre mim, não dizia nada, apenas me olhava nos olhos e me beijava a boca. Merda, me excitei com a idéia!
Completei 18 anos e resolvi que estava com vontade de "perder minha virgindade", escolhi um médico e fiz todos os exames, comprei o anticoncepcional receitado, esperei o dia certo e cedi o ingresso ao meu namorado (simples assim, como se estivessemos indo ao cinema). 
Tempos depois troquei meu namoradinho por um homem bem mais velho e fiquei com ele um bom tempo. Foi bom no começo e no meio, mas no fim foi muito melhor.
Fiquei com um "fodão" metido a gostoso; depois me matriculei em aulas frequentes e profundas com uma professora muito competente; namorei uma menina adorável; depois disso - aos 26 anos - já sabia que gostava mesmo era de sexo e os generos masculino e feminino tornaram-se meros detalhes que não me atrapalhavam em nada.
A única coisa que realmente me incomodava era quando ia ao ginecologista. Na primeira vez que transei com uma mulher cheguei ao consultório da minha médica e disse a ela, pedi orientações, no entanto ela só sabia inquerir curiosamente a respeito da minha mais nova experiência. Me arrependi, percebi que seria inútil, minha médica só reconhecia como sexo o encontro entre o pênis e a vagina, pior, na visão dela era como se eu tivesse apenas brincado de médico com uma priminha.
Agora, aos 30 anos, entrei no consultório de meu médico - aliás, que me acompanha há anos - e disse a ele: doutor eu me assumi, sou bi! Daí ele me olhou com mais atenção, como se fosse a primeira vez que estivesse me vendo e fez um tantão de perguntas: "como você descobriu; você sente maior atração por homens ou por mulheres; onde você conheceu a mulher com quem transou pela primeira vez; ela era feminina ou parecia um homem; você sente prazer quando transa com um homem; você se imagina casada com um mulher; você deseja ter filhos; como você se sente agora que se descobriu bissexual; você encarou normalmente esta nova situação ou ficou deprimida; se tratou com psicólogo para se aceitar; sua familia sabe de você...
Não vou dizer tudo o que respondi ao médico, mas na verdade - embora não tenha visto com malicia este interrogatório - agora quem vai precisar ir a um psicólogo é o doutor.
Talvez esta tenha sido a última vez que tentei conversar um ginecologista sobre a minha sexualidade, acredito que a maioria dos médicos embora estejam aptos a lidar com aparelhos reprodutores, dst's, métodos contraceptivos, partos, etc - ainda não estão preparados para atender pacientes homo ou bissexuais.
Como Helena que sou, deixei de ser lamparina, agoro sou holofote! Desculpe doutor se minha luz forte lhe distorceu a visão. No meu universo uma mesma cor tem muitas nuances!