segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DOUTOR EU ASSUMI: SOU BI !!!

Sou Helena, poderia ter nascido Joana, Antonia, Maria, Carolina, tanto me faz o nome. Mas de fato sou Helena! De acordo com o significado de meu nome sou Luz Brilhante, mas havia me colocado onde a luz não reluzia, sexualmente por exemplo...
Considero que cheguei ao auge da minha maturidade sexual aos vinte e seis anos de idade.
Quando tinha 4 anos arrumei um namoradinho da minha idade e saiamos juntos todas as tardes para nadarmos pelados numa lagoa perto do sítio de minha avó. Ele era meu companheiro de aventuras e, ainda que eu apanhasse, sempre fugia para encontrá-lo.
Aos 8 anos me prostitui, troquei favores sexuais por uma correntinha quebrada. O meu cliente devia ser 2 anos mais velho que eu, porém tinha um potencial promissor para contestar o ditado "tamanho não é documento", porque no caso dele - ainda que não fosse documento - "o tamanho era um belo cartão de visita". Não gostei da conduta dele no momento de tentar me possuir, agindo como se fosse meu senhor e proprietário. Atirei a correntinha na cara dele e mandei que saisse da minha cama, o máximo que ele conseguiu foram uns beijinhos e umas pegadinhas no pipi. Fiquei tão traumatizada que decidi parar de safadeza e me fechei indefinidamente para balanço. Cantava sempre a música de Chico Buarque "Geni e o Zepelim" para não me esquecer daquele transtorno e não cair novamente na vadiagem.
Aos 13 anos folheava as revistas pornôs que meu pai comprava e escondia cuidadosamente num lugar bem alto lá no guarda-roupas dele. Nelas eu vi cenas mirabolantes: um casal estava acampando e - nus -armavam a barraca. Me lembro que em plena grama, sob o sol, a mulher ficou imitando cavalinho e o homem - em pé - se aproximou com o mastro em riste tentando montar por trás no cavalinho. Foi a primeira vez que senti aquela gosma viscosa e esquisita em minha calcinha, a minha impressão era que havia cuspido nela.
Poucos meses antes de eu completar dezoito anos, estava deitada em minha cama pensando numa garota linda, delicada e perfumada que eu via no ônibus todas as manhãs. Ela se deitava sobre mim, não dizia nada, apenas me olhava nos olhos e me beijava a boca. Merda, me excitei com a idéia!
Completei 18 anos e resolvi que estava com vontade de "perder minha virgindade", escolhi um médico e fiz todos os exames, comprei o anticoncepcional receitado, esperei o dia certo e cedi o ingresso ao meu namorado (simples assim, como se estivessemos indo ao cinema). 
Tempos depois troquei meu namoradinho por um homem bem mais velho e fiquei com ele um bom tempo. Foi bom no começo e no meio, mas no fim foi muito melhor.
Fiquei com um "fodão" metido a gostoso; depois me matriculei em aulas frequentes e profundas com uma professora muito competente; namorei uma menina adorável; depois disso - aos 26 anos - já sabia que gostava mesmo era de sexo e os generos masculino e feminino tornaram-se meros detalhes que não me atrapalhavam em nada.
A única coisa que realmente me incomodava era quando ia ao ginecologista. Na primeira vez que transei com uma mulher cheguei ao consultório da minha médica e disse a ela, pedi orientações, no entanto ela só sabia inquerir curiosamente a respeito da minha mais nova experiência. Me arrependi, percebi que seria inútil, minha médica só reconhecia como sexo o encontro entre o pênis e a vagina, pior, na visão dela era como se eu tivesse apenas brincado de médico com uma priminha.
Agora, aos 30 anos, entrei no consultório de meu médico - aliás, que me acompanha há anos - e disse a ele: doutor eu me assumi, sou bi! Daí ele me olhou com mais atenção, como se fosse a primeira vez que estivesse me vendo e fez um tantão de perguntas: "como você descobriu; você sente maior atração por homens ou por mulheres; onde você conheceu a mulher com quem transou pela primeira vez; ela era feminina ou parecia um homem; você sente prazer quando transa com um homem; você se imagina casada com um mulher; você deseja ter filhos; como você se sente agora que se descobriu bissexual; você encarou normalmente esta nova situação ou ficou deprimida; se tratou com psicólogo para se aceitar; sua familia sabe de você...
Não vou dizer tudo o que respondi ao médico, mas na verdade - embora não tenha visto com malicia este interrogatório - agora quem vai precisar ir a um psicólogo é o doutor.
Talvez esta tenha sido a última vez que tentei conversar um ginecologista sobre a minha sexualidade, acredito que a maioria dos médicos embora estejam aptos a lidar com aparelhos reprodutores, dst's, métodos contraceptivos, partos, etc - ainda não estão preparados para atender pacientes homo ou bissexuais.
Como Helena que sou, deixei de ser lamparina, agoro sou holofote! Desculpe doutor se minha luz forte lhe distorceu a visão. No meu universo uma mesma cor tem muitas nuances!



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