quinta-feira, 28 de abril de 2011

ALFORRIA!

"Respeitar o curso do rio e a força da natureza que corre em nossas veias!".
Atitude positiva em busca de nossa própria identidade, aceitar tudo o que nos diferencia dos outros seres ao redor, ser responsável por escolhas simples como adoçar ou não o café antes de colocá-lo na garrafa térmica, dançar tango sem música...
Sentir a brisa da noite batendo em nosso rosto, a chuva da tarde molhar nosso corpo (sem nos preocupar com a transparencia da blusa), comprar a próxima passagem para um lugar inusitado...
Medo? - Lógico que sim, muito medo! 
Adrenalina e peito a pulsar como se o coração quisesse rasgar a pele e saltar para fora dançando frevo em asfalto quente.
Todas estas possibilidades e sensações me causam aquela a qual sou serva: LIBERDADE! 

Imagem copiada de: memoriasemomentos.blogspot.com

sábado, 23 de abril de 2011

NOSSA DANÇA

Você, eu  e o cansaço após horas de sexo bom. Deitamos  lado-a-lado conversando, olho-no-olho, boca-na-boca, cúmplices.
O cheiro de nossos gozos ainda exalam pelo quarto e uma mistura de sensações me deixam extremamente excitada...
Acaricio meus seios fartos; com  lentidão sôfrega minhas mãos descem  para entre pernas e - sob seu olhar ávido - massageio circularmente toda a região sensível e pulsante; controlo os toques e os ritmos como se fosse Beethoven compondo sonata para piano...
Lambuzada de gozo, anuncio-lhe - com voz rouca - que estou louca de desejo. 
Meus dedos têm um toque instigante e me penetro com frenesi;  meu olhar lascivo encontra o seu,  percebo que sua boca saliva na volúpia de me chupar e me tocar... Com sua boca em meus lábios jorro de prazer.
Chamo seu nome em vários tons: vibrante e apaixonado; urgente e febril; sussurrado; rápido; até gritá-lo num orgasmo.
Percebo o que despertei quando, lambendo meus dedos, você me puxa para sí e começamos a dançar... 

http://sadaabhikama.wordpress.com/category/sada-abhikama/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Culpa, muito prazer!

 O Morcego - Augusto dos Anjos

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!


            Em meu pescoço as feridas causadas pelas mordidas deste “rato com asas” não têm tempo sequer de cicatrizar... A mente também sangra, meu pescoço lateja e jorra um líquido escuro e fétido, com cheiro de culpa e transtornos psicóticos.
             Meu coração pulsa, minha mente fervilha, meu corpo deseja e minha alma – todas as noites – se entrega aos devaneios mais mirabolantes e inconfessos. Todos os dias, exceto aqueles nos quais me entrego em carne viva a tal devassidão... 
             Meu anjo dá-me as costas e se afasta, acredito que corado de vergonha de meus loucos arroubos de luxúria e insanidade.
            Nalguns momentos desejo ser essa “consciência humana, em forma de morcego”, daí estaria realizada – oh alegria – imagino-me a adentrar tantos quartos, a sondar  pensamentos e perversamente afugentar o sono de tantos homens quanto pudesse... Sem dó nem piedade, dentes afiados e compridos como agulhas, enlouquecê-los  e  por puro prazer  sugar-lhes o sangue!