sexta-feira, 3 de junho de 2011

PAIXÃO

Muito lhe devo...sem paga.
Mas o animal não segue regras...
segue os instintos...
sente no ar o teu cheiro...
e uiva enlouquecidamente para a lua, chamando teu nome.

Nada lhe devo... esta é a paga.
Amoral como Macunaíma, heroina dos guetos e dos hotéis vagabundos...
Marginalizada como prostituta sem cafetão...
Minha fome não cessa, a pele continua em brasas...
Tuas garras marcaram-me a carne, são troféus as cicatrizes...
Não preciso do cheiro, nem do gosto, nem da lua, nem do nome.

Jaz em meu peito a volúpia dum impotente diante da rapariga barata...
Como deserto escaldante que esfria ao anoitecer estão os meus sentidos.
Não faz diferença se ris ou se choras, nada me desola ou consola...
Emudeci, não sinto batimentos cardiacos, não ouço, não vejo... penso.

Uma parte de mim vaga à esmo, a outra tem parada certa: o sol!

Imagem: anadaydrems.blogspot.com

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