domingo, 16 de outubro de 2011

"CONFISSÃO
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Mário Quintana"


Meu processo de auto-perdão, por certo,  perdurará por longo período. Enquanto este tempo deve ser aguardado com serenidade, aproveito para abrandar em meu espírito as chamas que outrora expus e propaguei com orgulho.

Bobagem dizer que "não me arrependo do que fiz", seria como mentir descarademente diante de meu próprio espelho. Eu me arrependo de todas as atitudes que tomei, acreditando piamente que assim deveria ser, mas que fizeram pessoas queridas sofrerem.

Percebo que o dinamismo da liberdade - de alguma maneira - aprisiona o ser; é como poder voar e ter medo de altura. Isto porque liberdade acarreta responsabilidade; lembro que (quando eu era criança) minha mãe me deu a chave de casa e disse "agora você é responsável". Ora, eu queria apenas o direito de ir e vir a hora que bem entendesse, não queria ser "responsável" por nada nem por ninguém.

O amor é capaz de superar grandes obstáculos, contudo estou vivenciando um momento em que o maior sabotador de minha paz sou eu mesma. Porque é muito fácil rever algumas atitudes, ser flexível e desistir de sonhos insensatos; concomitantemente é muito difícil recomeçar diante do medo de fraquejar em velhos hábitos e tendências... Algumas vezes sinto que a oportunidade de alegria e serenidade está em praticar ioga no núcleo do inferno (e isto eu sei que posso).

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