domingo, 1 de janeiro de 2012

Anita Mulher! Eu anta!

Anita saiu de casa aos 14 anos de idade. Havia se apaixonado por uma mulher mais velha e simplesmente resolveu partir. Imagino a reação de descontentamento de seus parentes, principalmente seu pai - a quem ela tanto admira, contudo na época nada poderia ser feito para impedi-la, a menina era precocemente mulher e lésbica, ponto.
Mulher de grandes gestos e atitudes, voz leve com entonação firme - sabe usar muito bem os pequenos intervalos de silêncio e ao dialogar faz - vez em quando - um olhar perdido no horizonte como se estivesse considerando se o que ouve deve ser realmente levado em conta de importância.
Tem coxas grossas, quadril largo, cintura bem delineada, seios medianos, mãos grandes, dedos grossos, cabelos castanhos com mechas louras; olhos, nariz e lábios desenhados com perfeição e harmonia. Aliás, foram seus olhos e lábios que me fizeram perder a noção de tempo e espaço naquela noite...
A ex-namorada dela foi embora para Madri, como a história cantada numa música  sertaneja da moda, deve ser por isso que a beldade sai prum happy-hour às sextas-feiras para ouvir pagodão e samba. Ninguém é perfeito, credo, minha musa gosta de pagode e acompanha as letras com olhos brilhantes e "voz-de-taquara-rachada" (segundo sua própria definição).
Anita adora pessoas, não consegue se ver num ambiente onde não possa interagir; cursa psicologia porque atua em gestão de pessoas. Tem 22 anos de idade, já foi casada, terminou seu último relacionamento há 5 meses e confessa que tem muito medo de sofrer. Este medo a fez bloquear-se afim de proteger seu coração! 
Percebi que não é do tipo de pessoa que se entrega facilmente às emoções, fica sempre alerta e reserva lugares (na vida das pessoas) perto da saída de emergência - qualquer sensação de perigo a faz bater em retirada. Ela me disse que este bloqueio que possui, também é um dos motivos que a fizeram cursar psicologia (embora em seguida tenha desmentido este espontâneo comentário) e que o curso a fez melhorar e ampliar seus horizontes de compreensão sobre si mesma.
Anita, entre razão e emoção, prima pela razão. Disse que não é do tipo "mulher-fácil", só beija no terceiro ou quarto encontro e nisto eu sei que não foi verdadeira. Mas atenuo este ato-falho, acontece que o ideal para ela seria sair algumas vezes, conversar, fazer amizade, para depois - sim - beijar alguém; porque para ela o beijo é uma atitude de muita intimidade e elevada importância. "Não é assim, garota?"-rs.
Vou dizer o que penso do beijo: é ponto inicial dum relacionamento intimo, quando há amor é um reencontro de almas.  Entretanto, quando estamos emocionalmente carentes, um beijo pode ser a mensuração de nossa alegria e auto-estima: tô na merda, hoje não beijei ninguém; ou tô revigorada, beijei à beça.
Naquela noite eu estava acompanhada, mas não pude deixar de notar Anita. Tive vontade de conhecê-la, saber seu nome, seus gostos, ouvir sua voz, saber sua idade, conhecer seu amigo... Quando fui embora lhe dei um aceno e pronto.
Passada uma semana, voltei ao mesmo local no intuito de encontrá-la e encontrei. Obtive todas as informações que pude - num primeiro instante -conseguir ao seu respeito; mas houve algo que me fez ruminar como uma égua no pasto, foi um fato indigesto que observei. A moça, tão sexy e felina, gosta de mulheres (afirmou), mas sempre namorou aquelas mulheres meio-machinhos. A vi conversando com uma destas mulheres que (infelizmente, admito) me desanimam a libido, assim como me desanimam homens que coçam as partes baixas em público. 
Sinceramente não sei onde me encaixo neste velho mundo bissexual, talvez tudo seja bem simples e eu (que faço tanto drama) esteja querendo racionalizar demais. A questão que sempre me interessou foi o prazer e a auto-realização de exercer a minha sexualidade de maneira livre, livre inclusive de preconceitos, porém vez enquando ainda me pego em desvios mentais incompativeis com o meu agir liberal.
Blefei e iludi a mim mesma! Anita, você é melhor que eu!

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