terça-feira, 29 de maio de 2012

ESTOU ENCOROANDO!

No auge dos meus 36 anos, fico um pouco assombrada com o fantasma do "enta" (quarenta-cinquenta-sessenta-setenta-oitenta-noventa) porque ele significa contagem regressiva acelerada para o declínio físico. 

Estar coroa é período usual para repensar alimentação, vícios, sexualidade, patrimônio almejado, família, conhecimento, moral, sanidade mental... É o tempo versus prioridades versus necessidades versus sonhos versus possibilidades e fim.

No espelho: dois ou três fios de cabelos prateados e lindos (não fosse a porcaria da vaidade jamais os arrancaria como ervas daninhas no jardim); marcas de expressão aprofundadas; pelos que parecem ter crescido e escurecido (mas que nada - foi a pele que murchou e ficou mais pálida); as olheiras que continuam as mesmas começam a me atrair exageradamente; a lei da gravidade agindo em meus peitos é um espetáculo à parte. 

Sem contar o fígado prejudicado por 21 anos de batatas-fritas, caipirinhas, pastéis de feira, filé à parmegiana e raiva mal digerida (mas isto não deu para ver no espelho), tudo isto  está manifestado na prateleira dos remédios que aos poucos tomam o lugar dos badulaques e enfeites.

Estou mais sensível aos ambientes e energias externas e menos tolerante ao baixo astral (seja o meu ou de quem quer); meu eu interior está sendo reestruturado, é como um festival de muro-de-arrimo para compensar o alicerce mal elaborado do passado; meu racional está mais latente e meu emocional rmais resiliente. Neste último quesito quisera eu assim permanecesse!

Acredito sinceramente que estou me tornando uma "coroa" de futuro. Se temo a velhice? - Ora, verdade seja dita, nasci mentalmente velha (mas não ultrapassada) e quanto mais rugas adquiro menos estranha a mim me torno... Se temo a vellhice? - Temo o desalinho do tempo: rejuvenescer mentalmente num corpo que definha. SE TEMO A VELHICE? -  ESTOU ENCOROANDO!!! E não quero mais falar sobre o assunto.

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