segunda-feira, 15 de julho de 2013

MUDA SEMENTE (SEM MENTE)

O exercício do não dizer, não dizer diretamente, não dizer explicitamente, não dizer com palavras, não dizer no olhar, não dizer no falar, não dizer no gesticular, não dizer no silenciar... Este é o desafio! Esta é a ordem!
E quem disse que quero ser desafiada, quem me deu esta tal ordem? - Esqueçamos o quem e fiquemos com o para que.
Para que não dizer? - Para que haja tempo de amadurecer, tempo de fenecer, tempo de crescer, tempo de secar, tempo de enraizar, tempo de decidir, tempo de retroceder, tempo de definitivamente dizer e de não dizer.
Mas afinal de contas o que se tem a dizer é tão secreto e tão imperscrutável que de só não dizer jamais se saberá? - Não, porque antes de dizer nós pensamos!  O pensamento formado gera sentimento, sentimento é comunicativo e alardioso, não cabe em si, se manifesta metafisicamente, busca seus objetivos com o poder da atração. Sentimento é como uma trepadeira que cresce dentro de nós, antes que se de conta haverão folhas e caules brotando para fora de nossas muralhas.
Sentimento reprimido é como a ponta de um iceberg, uma armadilha em si, que tanto pode ferir quanto afundar a nós e a quem se aproximar.
Então, melhor seria poder deixar vir à tona os sentimentos!? - Não, o correto mesmo seria arrancar-lhes a raiz e o adubo, deixá-los com sede e abafá-los. Chorá-los e gozar de suas ausências! 
Para que? - Para depois passarmos longos e inquietantes dias tentando nos lembrar de como expressar algo em nós que pereceu muda sem germinar semente!? Decididamente estou a fim, muito a fim de exercitar o falar, o falar, o falar, o falar... Inevitável falar! LIBERTADOR FALAR!  TRANSFORMADOR FALAR!

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