domingo, 12 de janeiro de 2014

VOVÓ, EU CRESCI!

“Para ter algo que você nunca teve, é preciso fazer algo que você nunca fez.” ― Chico Xavier

Olhando bem em seus olhos, digo-lhe com toda certeza: a diferença entre um louco e um ser normal é apenas a consciência de si, consciência que o primeiro pensa que perdeu, consciência que o segundo acredita possuir. 
Eu tenho uma marca na perna, marca causada por uma ferida que me fiz (sem querer) aos 3 ou 4 anos de idade. Hoje, ela não representa nenhum constrangimento pela cicatriz, tão pouco me faz mal pela lembrança. 
No caminho que tenho trilhado ultimamente tenho tido alguns questionamentos (alheios à minha vontade) que me conscientizam (no intuito de me fazer parecer pessoa normal) de que há um laço não desfeito que me faz repetir atitudes e padrões emocionais gerados lá na minha infância.
Parece confuso pra você? Vou tentar esclarecer!
Reportemo-nos aos meus 3,5 anos de idade: aí esta uma criança muito muito muito peralta, comilona, aventureira, desobediente, jeitinho desconfiado, medrosa.  Minha avó, querida e linda, me avisou para não brincar com o enorme pilão que havia lá no sitio. Era um tipo de pilão no qual se trabalhava sentado e me acidentei, ferindo minha perna (saiu um pedaço da minha pele frágil).
Corri para detrás da casa grande, chorando, desconsolada e com dor, enquanto o sangue escorria.
Me encontraram lá um bom tempo depois e me socorreram. Vovó colocou remédio e fez curativo. Brigou comigo, perguntou porque eu havia me escondido ao invés de pedir ajuda.
Eu respondi: a senhora falou que iria me bater se eu a desobedecesse, me disse pra não mexer lá, eu mexi, me machuquei. Esta doendo! E eu não quis apanhar!
Agora adulta, repetindo o ciclo, ocorre o seguinte: eu me arrisco, quando dá certo, ótimo, quando dá errado, a consequência do erro já é o meu castigo. Perfeito! 
O grande equivoco: ficou gravado em meu inconsciente a ameaça da doce velhinha, "se mexer lá você vai apanhar!", castigo pouco é bobagem. 
Mas se estou adulta, vovó já se foi, quem mais pode me oferecer punição extra? - EU! Bingo!
Por isto, olhando bem em seus olhos, digo-lhe com toda certeza: vovozinha, amada e meiga (sem sarcasmo), a senhora tem razão, há algumas coisas que não me convém fazer por causa de meu tamanho e da falta de habilidade, há, ainda, coisas que não devo fazer ou dizer por causa das consequências que podem não ser  benéficas... Eu sei! Só que me reservo o direito de fazer, dizer, tentar!
Eu não preciso de sua punição extra, aliás, coisa que nunca aconteceu! Preciso de seu remédio, seu curativo, seu colo! Porque sei que não posso contar com seus alertas no entanto posso contar com seu amparo. 
Admiro e respeito sua maneira de me amar, mesmo com severidade! E não quero, dispenso mesmo, o medo de sofrer além do acordado. Quero a proporção justa e equilibrada do efeito com relação à causa! 
Ademais, quero o que a senhora tem de bom: a docilidade, a bondade, o carinho, a mansuetude, a afabilidade, o amor! Saiba que sua luz me acalma! E me permito assumir que toda e qualquer projeção sombria que fiz, inconscientemente, nada tem haver contigo. Errei! risos... Já sofri! To quites! To leve! Eu sou EU! A senhora, muito melhor em minha  realidade adulta que em minha imaginação infantil tardia, sempre foi muito amorosa.
Beijos! Ah, vovó, por favor, leia mais uma daquelas histórias de Jesus?! (EU TE AMO!)

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