domingo, 19 de outubro de 2014

OBSTINAÇÃO

A moça passeia tranquila, por entre bêbados, nas calçadas do centro da cidade. Em si, sóbria, com a mente desconectada do resto do mundo... Tropeça numa lata vazia, nem o barulho da lata nem o sacolejo nem o desequilibrar do corpo a fazem sair daquele estado d'alma. Continua caminhando, vira a segunda rua à esquerda, e atravessa, não nota o carro que freia bruscamente, tampouco nota a buzina e o gesto que faz o contrariado motorista. A moça, concentrada, não tem tempo para ser morta. Chega em frente a uma sacada, saca do bolso uma flor amassada e a arremessa contra a única janela que esta aberta, aquela com uma namoradeira. Não aparece ninguém. Ela volta. O amanhã chega. A moça munida de uma linda flor, desamassada, a coloca no bolso. Volta ao passeio... em si.


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