quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

TEMPO BUFÃO

O tempo me engoliu! Ocupada em viver, passam os dias, passam os meses e, chega o natal, vem o final do ano e, novamente o carnaval.
Daí, continuam vindo os cabelos brancos, os sinais de expressão, aliás, nada que uma tinta e um bom protetor solar não ajudem a amenizar.
São poucos os problemas, desde que eu mesma não os queira colocar na mente!
Bons amigos, família em paz, coração aquecido, mente ocupada, um bom direcionamento espiritual, comida farta...
Saudade danada de estar com meus e minhas amadas! Tempo curto, grana contada, saúde sim - até onde é possível, e uma vontade danada de ir a praia.
Fora isso, tudo conforme o programado, mesmo porque não sei a quem ou a que recorrer caso queira reclamar! O jeito é seguir, seguir como se tivesse o controle sobre minha própria vida, sabendo - evidentemente - que não tenho o controle sobre o meu viver, mas posso escolher - por exemplo - que musica tocar no meu aparelho de dvd.
... Posso tantas coisas, e de tantos modos, e corro tanto, e penso tanto, que ele - o tal tempo que me engoliu - este fanfarrão, anda rosetando em mim. Eu deixo, afinal, também me divirto bastante ao senti-lo me digerir!!! Ultimamente, coitado do velho, anda meio flatulento!!!


domingo, 11 de outubro de 2015

SUA PRESENÇA

Se você soubesse a falta que me faz...
Correria para me ver!
Dormiria todos os dias pertinho de mim!
Mandaria mensagem em todos os dias pares, pela manhã e, nos dias ímpares, ao meio do dia... sem se importar em estar sendo previsível ou invasiva! - Sabe, já aprendi que o amor não se importa com clichês, nem é orgulhoso. Tem vontade, diz! Quer ir, já foi! Carece, pega!
Se você soubesse a falta que me faz... 
Entenderia quando fico muda ou chata! - É a TPM, sim! E, também, a falta do seu abraço!
Sabe?! - Não, você não sabe, a FALTA que me faz!
Se soubesse, estaria aqui! Me olharia nos olhos e, sem nada dizer, me daria aquele abraço de quando os corações podem se sentir...
Ah, se você soubesse, amor, o quanto está aqui!!!
Imagem de: www.imagenstop.net

terça-feira, 29 de setembro de 2015

SE A MUDINHA FALAR

Ontem cheguei em Mari e disse: "coisinha, tu não tem futuro!"
Ela mirou bem minha fuça e me deu uma saraivada de bofetes! - Logo pensei: "oh, vida sem jeito!"
Trabalho até tarde, com alguns intervalos nos durantes - que não sou de ferro. Com meu salário pago todas as minhas contas: a da bodega do Zé Ernesto, a do clube da manguaça, o da quadra de futebol, o rateio dos churrascos das terças e quintas, a quitanda da  Juventina onde compro os confeites das meninas (lá da vila boquete)... Pronto! Acabou o dinheiro!
Pessoa mais sem noção é Maricéu! Acho até que céu mesmo só no nome! É fim de carreira uma mulher destas: violenta, gritadeira, impaciente e fofoqueira.
Andou dizendo por ai que num dou conta dela na cama, que ando brochado, que só chego em casa capengando... Mulher desalmada! - Será que ela acredita que me apetece comer mulher de calça florida - grudada na chavasca - e de cabelo de totó? - Pois se acha, tá certa, me apetece! Acontece que antes de chegar em casa passo por um jardim cheinho de mulher assim, aquelas que pegam meus confeites lá na vila boquete!
Cara, eis aqui um homem mal compreendido! - Sou viado não, porra! Sou é macho, macho machucado! Sem eira nem beira, sim, e sem frescura também!
Gosto de pinga nova, mulher peluda-pelada, chinelo sem marca, camiseta da politica retrasada; só que tenho meus luxos também! Pois é, sou um cabra danado, gosto de cigarro hollywood, gosto de copo pequeno pra tomar café, gosto de combinar o boné com o tênis e uso cinturão de couro caramelo. Tenho orgulho de dizer!
Camarada, duns dias pra cá ando agoniado! Tava precisando desabafar! - Então vou te dizer, só que olhando bem pro chão, tenho coragem de te olhar nos olhos não... Lá vai: Quitéria, prima de Zequinha de Conceição (sabe?! - aquela mudinha, abestado!!!),  pois é, a pobre da Quitéria andou querendo dos meus confeites. Dei a ela, menina gulosa, bebeu tanta mais tanta aguá que ficou buchuda!
Como é que eu conto isto pra padre Oleocardio na missa de domingo agora? Me diga? - Rapaz, tô com uma gastura dos infernos! Direto fico pensando em como chegar em Céu, e num é o céu do firmamento não - é minha Mari mesmo! Arre, prefiro encarar o representante do altíssimo que enfrentar aquela baixote aqui na Terra. 
Por isto, seu bodão, bula comigo não! Tô virado num saci! Doidinho pra rasgar um de faca! Mas não é de valentia não, é de medo... medo da mudinha falar!!!
Ô, seu Leocardio bote mais um naco de cachaça aqui! ... Seu Cardinho, bote esta garrafa toda bote!!! - Desculpa seu Zé Ernesto, tô confuso! - Pai do céu!!! Tô bebinho! Mas, me livra de Mari, amém!!!
Sabe, seu nó cego, sou um homem sem futuro! Bom mesmo, bom pra valer, só Mazaroppi!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CANALHAS ME DIVERTEM

Canalhas me divertem! Gosto do jeito bonachão com que expõem seus calabouços morais... kkkkkk
Sei, não devia me divertir! Um pouco mais de progresso e, talvez, eu não consiga mais achar engraçado.
Sabe, a liberdade que se obtém na inconsequência é coisa pra pessoas menos esclarecidas; quanto mais ignorante for o cabra ou a cabra, tanto menos se lhe exigirá a consciência. Quanto mais conhecimento, mais responsabilidade perante nossos atos!
Não quero entrar no mérito da questão moral e menos ainda discutir onde me encontro nesta escala evolutiva imperfeita... Quero muito mesmo é agradecer aos canalhas e às canalhas, agradecer àqueles canastrões, agradecer àqueles atrapalhados e falastrões: muito obrigada pelas gargalhadas que me proporcionam ao exporem tão abertamente suas farras e seus tropeços. 
Não há como negar, as trapalhadas alheias me distraem das minhas próprias trapalhadas. Aprendo muito! Aprendo, com seus exemplos, o que não devo me aventurar a fazer. Algumas vezes vejo-os repetindo erros que outrora cometi. (Daí penso: putz, outro trouxa!).
É assustador como o ser humano, eu e meus amigos canalhas-tranqueirões, somos tão previsíveis em nossas mazelas. Noto que há como que um movimento cíclico de idiotices e sacanagens. Uns aprendem com os erros, outros desaprendem e se perdem, alguns se recuperam e perseveram para melhorar e, há ainda, outros de nós que passam muito muito tempo patinando no mesmo lugar mental e material... Uma diferença básica nos distingue, num mesmíssimo contexto (a leviandade): enquanto uns de nós se divertem e não refletem, outros se culpam e sofrem!
Fato é: não conheço ninguém que já não tenha experimentado ambos os lados da traquinagem canalha! 

(Pra livrar algum anjinho de plantão: raro é aquele que já não tenha "escorregado na conduta", mas existe).

terça-feira, 14 de julho de 2015

CONFIANÇA

Acreditar no próprio valor! Confiar que cada um de nós tem um lugar certo para estar, confiar que tudo tem a hora certa, confiar que seus valores já são, em si mesmos, um enorme legado.
Confiar que, mesmo quando as coisas não vão tão bem, estamos seguindo o caminho certo e fazendo o melhor que podemos.
Em suma, confiar, no presente, na primeira pessoa do singular, requer firmeza de caráter e exercício diário de  perseverança no bem.

Agora, confiar, na terceira pessoa, de modo singular ou plural, eis o xis da conjugação. E cadê, num livro ou na prática, a regra infalível que possa me socorrer?
snoopy

quarta-feira, 17 de junho de 2015

SÓ PRA TE CONTAR!

Uso boina! Algumas vezes sou dura, vez em quando perco a ternura! Não sou comunista, embora na adolescência tenha andado com alguns companheiros que eram. Sou afeiçoada à poesia de Maiakovski! Concordo com o pensamento Marxista, principalmente no que se refere à supra existência da relação dominante-dominado na sociedade capitalista.
Não gosto de discutir politica, tão pouco me deixo rotular de apolítica (na verdade isto nem existe!).
Já li Paulo Coelho, Augusto Cury, Zibia Gaspareto, Sabrina e Julia, hoje não tenho mais motivação em lê-los.
Sou adepta do sedentarismo, passo errado do qual pouco me envergonho e, bem sei, que deveria me envergonhar.
Ouço jazz porque aprendi a ouvir, antes, não gostava. Jazz é coisa pra gente deveras louca ou, quem sabe, pra gente deveras equilibrada. O improviso é a libertação da alma que se transforma em musica! Haja alma!
Toda vez que tropeço tento dizer "misericórdia!", só que a mente me trai, e solto um "ai caralho!" ou algo semelhante. Evoluir nas coisas pequenas, eita desafio sem fim!
Tenho uma pequena mancha de nascença no braço, certa vez me assustei pois pensei que era sujeira. Daí percebi que há meses não me reparava, sequer me olhava nos olhos!
Outro dia cheguei em casa mais cedo, já estava com tudo programado, pensei "vou lavar o banheiro e limpar meu quarto". Assim que entrei em casa, desisti, peguei uma cerveja, um punhado de amendoins e me pus a ler mitologia grega.
Descobri que sou apaixonada por Mário Quintana, sou apaixonada por Mercedes Sosa, sou apaixonada por comédias românticas, sou apaixonada por mim, sou apaixonada pela cor vermelha, sou apaixonada por trabalhar, sou apaixonada por comandar, sou apaixonada por fazer as pessoas sorrirem. E são tantas outras paixões que cabem em meu universo particular que as acumulo e convivo com elas com transbordante gratidão.
Meus desafetos não são muitos, somente aqueles que não usam a seta ao dirigir, aqueles que falam alto demais em lugares impróprios. - Os lugares próprios para gritar são a feira, o Mc Donalds (para os atendentes), a lotação quando se está lá no fundão e quer descer no próximo, o outro lado da rua quando se quer muito chamar a atenção de algum conhecido distraído (e em hipótese alguma se deve gritar o nome da pessoa).
Mentir me desassossega,  primeiro por mentir, segundo por poder ser pega na mentira. E não posso dizer sob quais aspectos me pego mentindo, não são muitos não, chamo de "mentiras brancas" (são aquelas mentiras que não fazem mal, nos polpam e polpam muita conversa fiada). - Tá bom,  vou citar um exemplo: alguém muito, muito feio me pergunta "to bonito/a?", respondo mentindo "tá!". Caramba, lógico que não está,  e é pouco possível que um dia fique. E por ai vai! 
imagem: www.campograndeinfo.com.br

terça-feira, 31 de março de 2015

TPM

Tenho Pulgas Mozão! - Revelou a cadela Pompom.
Tudo Problema Meu! - Assim falou a cuidadora da creche, quando pegou o bebê todo cagado.
Tenho Pouca Memória! - Pensou a namorada traída, diante das flores que o namorado mandou.
Tudo Parasita Miúdo! - Impropério do Carrapato Rei, durante uma palestra para um grupo de piolhos.
Tô Puta Menina! - Desabafou Guigui Carrapicho.
Tudo Pra Merda! - Pensou dona Clotilde, diante dos fardos de papéis higiênicos.
Tá Podre Matilde! - Disse Nalva, que um pum cheirou.
Tampax Protege Mãinha? - Questionou Maria Glorinha.
Trouxa Pega Mulher! - Propagou a travesti Dorivalda.
Tulipa, Petúnia e Margarida! - Vossa mãe as aguardam na portaria, anunciou toda prosa Magnólia.
Tinta Pra Madeira! - Tônia Pediu Marfim, lembrou tio Noé.
Tempo Pra Mijar! - Gritou Zezinho, no meio da brincadeira.

Imagem: mdemulher.abril.com.br

sexta-feira, 27 de março de 2015

FIM DE NAMORO

O fim de namoro recente é um pé na testa, já que não tenho saco. Não o tenho no sentido escrotal nem no sentido informal da palavra, quando indica paciência.
Já aconteceu comigo de parecer cachorro atrás do caminhão da mudança, com a diferença de que, ao invés de cair, fui mesmo é chutada. E doeu pra burro!!!
Lembro que não existia o sentimento de estar me humilhando, existia sim uma força monumental que me impulsionava a passar naquela rua em horários os mais variados, existia uma vontade incontrolável de ligar para aquele celular sempre desligado ou fora de área - isto quando não era desligado na minha cara. Existia também a certeza - absoluta - de que minha vida não teria nunca mais sentido algum se eu não pudesse estar próxima daquele ser impar e amorosamente avassalador.
Como tem coisa demorada, né!? - Como, por exemplo, estas paixões que arrebatam e a dilaceram a alma aos poucos, aliás, este processo auto-destrutivo e sequestrador da sensatez acontece tão lentamente que, embora todos a minha volta percebessem, eu não me dava conta. Bom, ao menos comigo foi assim! E se o durante demorou pra caramba, demorou ainda mais pra passar quando acabou!!!
Porque, inferno mental, num relacionamento há sempre um que é mais forte ou menos sensível à dor do outro. Outra coisa importante que percebi, quando a dor era minha sofri sem muito alarde, depois dos primeiros rompantes - meses de primeiros rompantes - consegui sofrer quieta, quase calada.
O fim de namoro recente é como um limbo sob nossos pés! Tentei levantar e voltei a cair por incontáveis vezes. As feridas maiores foram causadas pelas ausências, ausências daquela criatura sagrada da qual ninguém podia falar mal, ausências de meu amor próprio, ausências da minha vontade de diminuir o consumo de álcool e cigarro.
O terapeuta e o antidepressivo fitoterápico chegaram à minha existência exatamente após uma paixão obsessiva. 
O que mais me cala fundo n'alma ao recordar é o fato de meu coração ter ficado em desalinho; ainda por muitos meses, anos até, quando ouvia uma voz ao longe ou sentia um perfume ou vislumbrava uma silhueta parecida, minha mente voltava instantaneamente ao passado, como se fossem as "madeleines de Proust", só que em caráter maldito.
Chamei de amor este sentimento opressivo, este desassossego permanente, esta desdita infinda, quando - na verdade - era puro desamor. Desamor a mim!!!
Um dia, nem sei quando, Deus olhou pra mim e eu o olhei de volta... Eu disse a Ele: "Senhor me ajuda, afasta de mim esta dor e a causa dela; por favor, nem que eu peça, pois sei que vou pedir, por isto repito - nem que eu peça - traga de volta a minha vida este anjo rebelde que me tirou a paz; eu imploro que me ajude, pois eu mesma não tenho forças nem vontade de modificar este estado dormente de espírito". Depois disto, chorei até não mais poder e adormeci. 
Quando acordei ainda me sentia triste, com um vazio infindo no peito, um vazio de saudade eterna, como se a morte tivesse me levado algo. E levou!!! Morreu em mim a postura covarde que me rebaixava perante meu algoz! 
Nasceu em mim a altivez daquele que pagou muito caro pra voltar a ter um relativo equilíbrio emocional e, mesmo me sabendo tão vulnerável, veio à luz do sol a certeza de que o amor verdadeiro ainda não havia chegado, junto com esta certeza,  foi restaurada a esperança  e minha fé no amanhã.
Pois bem, enquanto se espera, se age, se vive! Posso estar feliz por tantas razões que me deixar abater por uma, ainda que tão importante, é desperdício. Não estou aqui para investir meu tempo no que não tenho, ou ainda, não estou aqui para investir meu tempo com quem não soube me valorizar. Por isto, digo: "ei moço, toca pro aeroporto! Correr é pouco, quero voar!!!".

Imagem: www.telegraph.co.uk

terça-feira, 10 de março de 2015

TEATRO

É o fim do segundo ato, as cortinas se fecham. Na platéia um frenesi e um burburinho estérico. Daqui, da coxia, vejo pessoas que me são caras ao coração, vejo gente e todas as matizes de cores em suas vestes e em seus rostos. Gosto de espiar dos bastidores!
Só não sei porque faço tanto sucesso, não sei porque sou tão aplaudida, pois há muitíssimo tempo deixei de representar o personagem. Eu apresento a real persona em meu ser! Sou tão tola, sou tão delicada, sou tão arrogante, sou tão cruel, sou tão debochada, sou tão séria, sou tão leve, sou tão atraente, sou tão esquiva... E em sendo nada de tudo, represento tanto do que pouco sou, em profundidade e em grandeza, que meu reflexo chega aos outros simplesmente através - dos espelhos - de seus inconfessos gozos.
Porque há tanto de mim em cada um de todos os seres vivos que, não fosse eu humana, bem poderia ser um bicho, uma bactéria, uma planta.
A campainha toca uma; uma, duas; uma, duas, três vezes... O terceiro ato me espera! Reforço a maquiagem, troco de figurino, abrem-se as cortinas.
Quando reapareço, todos atentos, a fala é minha! Estou novamente concentrada e, outra vez, o pensar, o olhar, o refletir, já não me pertencem... Sou do mundo, dos que me olham (e nem sempre me veem)! Alguns sorriem, outros franzem a testa, aqueles chegam a revirar os olhos... Lá, bem lá no fundo, estão os que me amam, e é deles que vem a luz que ilumina este palco.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

EI, CABOCLO DE PAIA!

Nasci no sertão do Miriti, na região nordeste, completei 68 anos de idade em junho do ano passado, devo ser mais novo uns quatro anos, mas isto não faz diferença nem para meu documento nem para meu pensamento.
Quero falar, não com palavras ocas, porém com sentimento profundo e curtido como bituca de cigarro de palha no canto da boca. E eis o que me move!
Ando "ruminando" feito um boi no pasto, só que sem chifres (assim espero), sobre coisas do dia-a-dia, sobre coisas que sequer sei definir, sobre tudo que trago no peito e sobre a morte, morte que não me causa medo nem desdém, matutando, sobretudo, a respeito disto que trago no meio das pernas.
Dia destes lembrei de Maria Gorete. Maria Gorete! Uma moçoila tagarela, sonhadora, quase matuta (não fosse mais esperta e inteligente que eu). Tinha cabelos cor da boca do inferno que imagino ser meio como um céu sem lua e sem estrelas, tinha a boca carnuda e grande, cor de sangue de rolinha ferida a baladeira. Nunca reparei direito no resto, mas lembro que peguei e fiquei atiçado feito fogo em capim seco, as labaredas iam alto e queimavam rápido, só que eu não sabia o que fazer para mantê-lo aceso.
Aí entra minha admiração por Maria Gorete, com ela entendi que não adianta ferramenta grande, vontade de trabalhar, saúde e disposição pra gastar. É preciso saber como manusear, quando e o que fazer, ter foco, além de fogo. Aprendi tudo do que melhor sei fazer com aquela menina mulher. E desde então só me dediquei mais e mais aos exercícios e ao aprimoramento. Assim agi durante todos estes anos. 
Hoje conservo minha saúde e disposição, porém daquele fogo só me restou este pito e o prazer de alisar a palha, apalpar o fumo, enrolar o cigarro, e lamber, e lamber, depois, à base de fogo comprado e muito bem pago, acender o tabaco e curtir a quentura, sentir a textura, pegar firme, e olhar, e olhar, e olhar... e, com sofreguidão, meter no canto da boca, e recordar...
Se eu pudesse dizer algo obsceno aos que passam ali na estrada, acenam pra esta varanda e comentam, "só pitando compadre Rolando?!", diria: "num tá vendo? To fodendo Maria Gorete!".
Imagem: www.tvhoje.com.br/index.php/.../1953-tio-ze-e-o-pito-de-paia

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SIMBIOSE E SEPARAÇÃO

A união de dois seres diferentes que lhes permite viver com benefícios... é mais ou menos isto que significa simbiose, evidente que com a licença poética para dizer o que vim dizer aqui (risos).
Conheço alguns casais que se separaram, uns depois de longos anos e outros depois de pouco tempo de convivência; como muitos de nós já percebemos, aquela máxima é o que vale: "não importa o tempo, mas a intensidade". Com o passar do bom e velho amigo tempo, em alguns muitos casos, conseguimos nos desapegar, mas não impunemente. 
A simbiose amorosa pode dar lugar ao ódio (negação hostil e burra do amor que ainda mora em nós); pode dar lugar à volubilidade (que é a vontade, frustrada, de matar aos poucos a lembrança do outro em nós); pode dar lugar à depressão (uma mistura de baixa estima com incapacidade de lidar com a ausência do outro); pode dar lugar a uma felicidade jovial (gerada pelo sentimento de que já foi tarde e viva a liberdade); pode se transformar numa busca solitária e longa (tentando resgatar em outros relacionamentos aquilo que um dia tivemos com o ex); pode se transformar em indiferença (o que significa que o amor nem era mesmo amor); pode ocorrer a perigosa cristalização do amor (é que dói tanto - tanto, tantooo - que empedramos o sentimento e, com isso, viramos também uma pedra); pode ocorrer também a confirmação verdadeira ou inventada de que nos fodemos sem vaselina (porque a garota, o cara que se foi ou que mandamos embora - shit - era O Amor que não soubemos preservar)... 
Bom, na real, a união quando deixa de trazer benefícios (alegria, segurança, conforto, sexo selvagem, noites românticas,  conversas mudas e harmônicas, viagens, a aprovação dos amigos, inveja das mal amadas, admiração dos outros casais, um lar - no sentido de co-habitarmo-nos; etc), começa a desandar e cai em derrocada. Isto porque, acredito eu, exigimos do outro o que - quase sempre - não somos capazes de dar (eu mesma tenho um monte de limitações para o que quero dar, no sentido geral da palavra dar... risos).
Tem ainda outras questões que interferem na decisão de estarmos com alguém: a de que queremos que todos nos aprovem e aprovem nosso par; a problemática do ciúme; as exigências sociais e familiares (porque não somos somente dois, somos um núcleo familiar cercado de anseios e complexos); o padrão sócio-econômico (sem hipocrisia); a distância ou proximidade gerada pelo coeficiente intelectual (tem gente inteligente que gosta de gente menos inteligente pra se sobressair, tem gente que não liga, tem gente que finge não ligar, tem gente que só se importa com isto e se ferra); a importância que se dá ou não ao sexo; a capacidade que ambos devem ter para lidar com o lado negativo um do outro...
Agora, muito duro de lidar é a inconstância e as oscilações de humor, parece que o mundo está virando "polipolar" (os bipolares já estão ultrapassados).
Verdade seja dita, lidar com a separação não é fácil! Ter que dar satisfação aos outros do porquê nos separamos também é um chute no saco, talvez até por isto adiamos tanto e ficamos presos à relacionamentos ruins.
Só que tem um fato raro que ocorre, disso vou falar bem baixinho porque é segredo: é a simbiose mesmo após a separação (pode ser um fato recíproco ou solitário - não importa). Tem relacionamentos que se rompem, mas nunca (neste caso o nunca existe mesmo) se acabam, nem com a ausência e a distância. É aquele amor do passado que gera insegurança se mencionado ao atual! Este amor que fica, que não sai, que não cessa; o qual nem sequer precisamos querer pensar nele pois que ele já é onipresente (um deus em nosso coração). Contra este amor não há argumentos, só a aceitação de que é passado e que não volta, porém jamais irá se extinguir. E aprendemos a conviver com ele com uma lealdade velada, seguindo a vida... Assim deve ser!!!

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