quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SIMBIOSE E SEPARAÇÃO

A união de dois seres diferentes que lhes permite viver com benefícios... é mais ou menos isto que significa simbiose, evidente que com a licença poética para dizer o que vim dizer aqui (risos).
Conheço alguns casais que se separaram, uns depois de longos anos e outros depois de pouco tempo de convivência; como muitos de nós já percebemos, aquela máxima é o que vale: "não importa o tempo, mas a intensidade". Com o passar do bom e velho amigo tempo, em alguns muitos casos, conseguimos nos desapegar, mas não impunemente. 
A simbiose amorosa pode dar lugar ao ódio (negação hostil e burra do amor que ainda mora em nós); pode dar lugar à volubilidade (que é a vontade, frustrada, de matar aos poucos a lembrança do outro em nós); pode dar lugar à depressão (uma mistura de baixa estima com incapacidade de lidar com a ausência do outro); pode dar lugar a uma felicidade jovial (gerada pelo sentimento de que já foi tarde e viva a liberdade); pode se transformar numa busca solitária e longa (tentando resgatar em outros relacionamentos aquilo que um dia tivemos com o ex); pode se transformar em indiferença (o que significa que o amor nem era mesmo amor); pode ocorrer a perigosa cristalização do amor (é que dói tanto - tanto, tantooo - que empedramos o sentimento e, com isso, viramos também uma pedra); pode ocorrer também a confirmação verdadeira ou inventada de que nos fodemos sem vaselina (porque a garota, o cara que se foi ou que mandamos embora - shit - era O Amor que não soubemos preservar)... 
Bom, na real, a união quando deixa de trazer benefícios (alegria, segurança, conforto, sexo selvagem, noites românticas,  conversas mudas e harmônicas, viagens, a aprovação dos amigos, inveja das mal amadas, admiração dos outros casais, um lar - no sentido de co-habitarmo-nos; etc), começa a desandar e cai em derrocada. Isto porque, acredito eu, exigimos do outro o que - quase sempre - não somos capazes de dar (eu mesma tenho um monte de limitações para o que quero dar, no sentido geral da palavra dar... risos).
Tem ainda outras questões que interferem na decisão de estarmos com alguém: a de que queremos que todos nos aprovem e aprovem nosso par; a problemática do ciúme; as exigências sociais e familiares (porque não somos somente dois, somos um núcleo familiar cercado de anseios e complexos); o padrão sócio-econômico (sem hipocrisia); a distância ou proximidade gerada pelo coeficiente intelectual (tem gente inteligente que gosta de gente menos inteligente pra se sobressair, tem gente que não liga, tem gente que finge não ligar, tem gente que só se importa com isto e se ferra); a importância que se dá ou não ao sexo; a capacidade que ambos devem ter para lidar com o lado negativo um do outro...
Agora, muito duro de lidar é a inconstância e as oscilações de humor, parece que o mundo está virando "polipolar" (os bipolares já estão ultrapassados).
Verdade seja dita, lidar com a separação não é fácil! Ter que dar satisfação aos outros do porquê nos separamos também é um chute no saco, talvez até por isto adiamos tanto e ficamos presos à relacionamentos ruins.
Só que tem um fato raro que ocorre, disso vou falar bem baixinho porque é segredo: é a simbiose mesmo após a separação (pode ser um fato recíproco ou solitário - não importa). Tem relacionamentos que se rompem, mas nunca (neste caso o nunca existe mesmo) se acabam, nem com a ausência e a distância. É aquele amor do passado que gera insegurança se mencionado ao atual! Este amor que fica, que não sai, que não cessa; o qual nem sequer precisamos querer pensar nele pois que ele já é onipresente (um deus em nosso coração). Contra este amor não há argumentos, só a aceitação de que é passado e que não volta, porém jamais irá se extinguir. E aprendemos a conviver com ele com uma lealdade velada, seguindo a vida... Assim deve ser!!!

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