terça-feira, 31 de março de 2015

TPM

Tenho Pulgas Mozão! - Revelou a cadela Pompom.
Tudo Problema Meu! - Assim falou a cuidadora da creche, quando pegou o bebê todo cagado.
Tenho Pouca Memória! - Pensou a namorada traída, diante das flores que o namorado mandou.
Tudo Parasita Miúdo! - Impropério do Carrapato Rei, durante uma palestra para um grupo de piolhos.
Tô Puta Menina! - Desabafou Guigui Carrapicho.
Tudo Pra Merda! - Pensou dona Clotilde, diante dos fardos de papéis higiênicos.
Tá Podre Matilde! - Disse Nalva, que um pum cheirou.
Tampax Protege Mãinha? - Questionou Maria Glorinha.
Trouxa Pega Mulher! - Propagou a travesti Dorivalda.
Tulipa, Petúnia e Margarida! - Vossa mãe as aguardam na portaria, anunciou toda prosa Magnólia.
Tinta Pra Madeira! - Tônia Pediu Marfim, lembrou tio Noé.
Tempo Pra Mijar! - Gritou Zezinho, no meio da brincadeira.

Imagem: mdemulher.abril.com.br

sexta-feira, 27 de março de 2015

FIM DE NAMORO

O fim de namoro recente é um pé na testa, já que não tenho saco. Não o tenho no sentido escrotal nem no sentido informal da palavra, quando indica paciência.
Já aconteceu comigo de parecer cachorro atrás do caminhão da mudança, com a diferença de que, ao invés de cair, fui mesmo é chutada. E doeu pra burro!!!
Lembro que não existia o sentimento de estar me humilhando, existia sim uma força monumental que me impulsionava a passar naquela rua em horários os mais variados, existia uma vontade incontrolável de ligar para aquele celular sempre desligado ou fora de área - isto quando não era desligado na minha cara. Existia também a certeza - absoluta - de que minha vida não teria nunca mais sentido algum se eu não pudesse estar próxima daquele ser impar e amorosamente avassalador.
Como tem coisa demorada, né!? - Como, por exemplo, estas paixões que arrebatam e a dilaceram a alma aos poucos, aliás, este processo auto-destrutivo e sequestrador da sensatez acontece tão lentamente que, embora todos a minha volta percebessem, eu não me dava conta. Bom, ao menos comigo foi assim! E se o durante demorou pra caramba, demorou ainda mais pra passar quando acabou!!!
Porque, inferno mental, num relacionamento há sempre um que é mais forte ou menos sensível à dor do outro. Outra coisa importante que percebi, quando a dor era minha sofri sem muito alarde, depois dos primeiros rompantes - meses de primeiros rompantes - consegui sofrer quieta, quase calada.
O fim de namoro recente é como um limbo sob nossos pés! Tentei levantar e voltei a cair por incontáveis vezes. As feridas maiores foram causadas pelas ausências, ausências daquela criatura sagrada da qual ninguém podia falar mal, ausências de meu amor próprio, ausências da minha vontade de diminuir o consumo de álcool e cigarro.
O terapeuta e o antidepressivo fitoterápico chegaram à minha existência exatamente após uma paixão obsessiva. 
O que mais me cala fundo n'alma ao recordar é o fato de meu coração ter ficado em desalinho; ainda por muitos meses, anos até, quando ouvia uma voz ao longe ou sentia um perfume ou vislumbrava uma silhueta parecida, minha mente voltava instantaneamente ao passado, como se fossem as "madeleines de Proust", só que em caráter maldito.
Chamei de amor este sentimento opressivo, este desassossego permanente, esta desdita infinda, quando - na verdade - era puro desamor. Desamor a mim!!!
Um dia, nem sei quando, Deus olhou pra mim e eu o olhei de volta... Eu disse a Ele: "Senhor me ajuda, afasta de mim esta dor e a causa dela; por favor, nem que eu peça, pois sei que vou pedir, por isto repito - nem que eu peça - traga de volta a minha vida este anjo rebelde que me tirou a paz; eu imploro que me ajude, pois eu mesma não tenho forças nem vontade de modificar este estado dormente de espírito". Depois disto, chorei até não mais poder e adormeci. 
Quando acordei ainda me sentia triste, com um vazio infindo no peito, um vazio de saudade eterna, como se a morte tivesse me levado algo. E levou!!! Morreu em mim a postura covarde que me rebaixava perante meu algoz! 
Nasceu em mim a altivez daquele que pagou muito caro pra voltar a ter um relativo equilíbrio emocional e, mesmo me sabendo tão vulnerável, veio à luz do sol a certeza de que o amor verdadeiro ainda não havia chegado, junto com esta certeza,  foi restaurada a esperança  e minha fé no amanhã.
Pois bem, enquanto se espera, se age, se vive! Posso estar feliz por tantas razões que me deixar abater por uma, ainda que tão importante, é desperdício. Não estou aqui para investir meu tempo no que não tenho, ou ainda, não estou aqui para investir meu tempo com quem não soube me valorizar. Por isto, digo: "ei moço, toca pro aeroporto! Correr é pouco, quero voar!!!".

Imagem: www.telegraph.co.uk

terça-feira, 10 de março de 2015

TEATRO

É o fim do segundo ato, as cortinas se fecham. Na platéia um frenesi e um burburinho estérico. Daqui, da coxia, vejo pessoas que me são caras ao coração, vejo gente e todas as matizes de cores em suas vestes e em seus rostos. Gosto de espiar dos bastidores!
Só não sei porque faço tanto sucesso, não sei porque sou tão aplaudida, pois há muitíssimo tempo deixei de representar o personagem. Eu apresento a real persona em meu ser! Sou tão tola, sou tão delicada, sou tão arrogante, sou tão cruel, sou tão debochada, sou tão séria, sou tão leve, sou tão atraente, sou tão esquiva... E em sendo nada de tudo, represento tanto do que pouco sou, em profundidade e em grandeza, que meu reflexo chega aos outros simplesmente através - dos espelhos - de seus inconfessos gozos.
Porque há tanto de mim em cada um de todos os seres vivos que, não fosse eu humana, bem poderia ser um bicho, uma bactéria, uma planta.
A campainha toca uma; uma, duas; uma, duas, três vezes... O terceiro ato me espera! Reforço a maquiagem, troco de figurino, abrem-se as cortinas.
Quando reapareço, todos atentos, a fala é minha! Estou novamente concentrada e, outra vez, o pensar, o olhar, o refletir, já não me pertencem... Sou do mundo, dos que me olham (e nem sempre me veem)! Alguns sorriem, outros franzem a testa, aqueles chegam a revirar os olhos... Lá, bem lá no fundo, estão os que me amam, e é deles que vem a luz que ilumina este palco.