sexta-feira, 27 de março de 2015

FIM DE NAMORO

O fim de namoro recente é um pé na testa, já que não tenho saco. Não o tenho no sentido escrotal nem no sentido informal da palavra, quando indica paciência.
Já aconteceu comigo de parecer cachorro atrás do caminhão da mudança, com a diferença de que, ao invés de cair, fui mesmo é chutada. E doeu pra burro!!!
Lembro que não existia o sentimento de estar me humilhando, existia sim uma força monumental que me impulsionava a passar naquela rua em horários os mais variados, existia uma vontade incontrolável de ligar para aquele celular sempre desligado ou fora de área - isto quando não era desligado na minha cara. Existia também a certeza - absoluta - de que minha vida não teria nunca mais sentido algum se eu não pudesse estar próxima daquele ser impar e amorosamente avassalador.
Como tem coisa demorada, né!? - Como, por exemplo, estas paixões que arrebatam e a dilaceram a alma aos poucos, aliás, este processo auto-destrutivo e sequestrador da sensatez acontece tão lentamente que, embora todos a minha volta percebessem, eu não me dava conta. Bom, ao menos comigo foi assim! E se o durante demorou pra caramba, demorou ainda mais pra passar quando acabou!!!
Porque, inferno mental, num relacionamento há sempre um que é mais forte ou menos sensível à dor do outro. Outra coisa importante que percebi, quando a dor era minha sofri sem muito alarde, depois dos primeiros rompantes - meses de primeiros rompantes - consegui sofrer quieta, quase calada.
O fim de namoro recente é como um limbo sob nossos pés! Tentei levantar e voltei a cair por incontáveis vezes. As feridas maiores foram causadas pelas ausências, ausências daquela criatura sagrada da qual ninguém podia falar mal, ausências de meu amor próprio, ausências da minha vontade de diminuir o consumo de álcool e cigarro.
O terapeuta e o antidepressivo fitoterápico chegaram à minha existência exatamente após uma paixão obsessiva. 
O que mais me cala fundo n'alma ao recordar é o fato de meu coração ter ficado em desalinho; ainda por muitos meses, anos até, quando ouvia uma voz ao longe ou sentia um perfume ou vislumbrava uma silhueta parecida, minha mente voltava instantaneamente ao passado, como se fossem as "madeleines de Proust", só que em caráter maldito.
Chamei de amor este sentimento opressivo, este desassossego permanente, esta desdita infinda, quando - na verdade - era puro desamor. Desamor a mim!!!
Um dia, nem sei quando, Deus olhou pra mim e eu o olhei de volta... Eu disse a Ele: "Senhor me ajuda, afasta de mim esta dor e a causa dela; por favor, nem que eu peça, pois sei que vou pedir, por isto repito - nem que eu peça - traga de volta a minha vida este anjo rebelde que me tirou a paz; eu imploro que me ajude, pois eu mesma não tenho forças nem vontade de modificar este estado dormente de espírito". Depois disto, chorei até não mais poder e adormeci. 
Quando acordei ainda me sentia triste, com um vazio infindo no peito, um vazio de saudade eterna, como se a morte tivesse me levado algo. E levou!!! Morreu em mim a postura covarde que me rebaixava perante meu algoz! 
Nasceu em mim a altivez daquele que pagou muito caro pra voltar a ter um relativo equilíbrio emocional e, mesmo me sabendo tão vulnerável, veio à luz do sol a certeza de que o amor verdadeiro ainda não havia chegado, junto com esta certeza,  foi restaurada a esperança  e minha fé no amanhã.
Pois bem, enquanto se espera, se age, se vive! Posso estar feliz por tantas razões que me deixar abater por uma, ainda que tão importante, é desperdício. Não estou aqui para investir meu tempo no que não tenho, ou ainda, não estou aqui para investir meu tempo com quem não soube me valorizar. Por isto, digo: "ei moço, toca pro aeroporto! Correr é pouco, quero voar!!!".

Imagem: www.telegraph.co.uk

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